quarta-feira, 29 de junho de 2011
GPS
“No seu próximo relacionamento, acelere”.
“Siga neste caminho por mais 10 meses que você vai receber uma excelente proposta de emprego”.
“Para pegar a sua mulher colocando gaia em você, dobre à direita”.
No mínimo, a gente iria se preocupar menos e viver mais. Aliás, um GPS seria ideal não só para a vida das pessoas. Mas também para quem não está nem ai para a vida. Um exemplo: imagine aquele típico suicida. Coitado, fica horas e horas calculando as melhores formas de ter êxito em uma das únicas coisas que o faria feliz. Fora isso, ele sabe que, se fracassar, provavelmente nunca mais vai poder repetir o seu tão esperado plano. Repare na tensão desse rapaz. Com o GPS, ele não passaria por toda essa angústia.
“Não senhor, não pegue uma gilete para cortar o seu pulso. Você tem 95% de chances a mais se comprar uma arma e atirar na sua cabeça.”
Ok, concordo que esse não foi um exemplo politicamente correto. Mas já que entramos no assunto politicamente, não acha que seria fantástico ter um GPS que mostrasse quais são os políticos que você nunca deveria votar?
“O Leando da Silva, do PBFSD, está esperando a sua votação para dar uma acelerada na corrupção e começar a enriquecer.”
Melhor ainda seria na hora da cama.
“Agora, acaricie o seio esquerdo. Espere 15 segundos e entre no túnel respeitando o limite de velocidade.”
Pois é, tudo seria mais fácil. E, se você pensar direitinho, as pessoas seriam menos falsas. Até porque o GPS seria um ótimo dedo duro.
Filho - “Mãe, estou indo estudar na casa de Betinho”
GPS da Mãe - “Filho indo em direção a Porto de Galinhas”
Telefone da Mãe - “O que danado você está fazendo em Porto de Galinhas?”
Cinto da Mãe - “Tchá, pei, paft, puft!!!”
E um estraga prazeres melhor ainda.
Namorado - “Oi amor, estou indo dormir, tá?”
GPS da Namorada - “Namorado está se locomovendo para o Fiteiro.”
Namorada - “Hun, que bom! Finalmente posso ficar com o Sicrano sem ter aquele peso na consciência.”
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Arte e Vida.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
notícia
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Torcida.
domingo, 5 de setembro de 2010
Infância.
- Oh, mano!
Oh, mano? Toma ai o "oh, mano", paulista de merda. Aposto que foi exatamente isso que todos os garotos pensaram naquela hora. Uma vingança por ter pego a garota da sala. A mais bela e inteligente de todas. Calma, inteligente nem tanto. Mas ela sempre tirava notas boas. Tudo bem que toda vez tinha alguém que dava fila pra a Ju, achando que algum dia ela iria retribuir com algo melhor do que um sorriso e um obrigado (que muitas vezes nem acontecia). Mas, apesar do ato nunca ter se concretizado, não custava nada tentar. O ruim é que o tempo foi passando, todo mundo foi crescendo. Inclusive a Ju. Aliás, em especial a Ju. Ela cresceu tanto, tanto que acabou ganhando outro apelido: Big Ju. Da sétima para o primeiro ano, a Ju engordou uns 30kg. O paulista foi o primeiro a se mandar. Engraçado é que, no final das contas, até que ele era um cara limpeza, gente fina. Acabou ficando no nosso grupinho quando a gente passou de ano e ele repetiu. Duas vezes. Mas o cara realmente era gente boa. Já a Ju, ou melhor, Big Ju não era mais aquela coisa, sabe? E a gente viu que tudo era passageiro, tudo mudava. Menos o velhinho do picolé, que, até hoje, ainda tá lá.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Meu meio.
Vida de redator é complicado. Quisera eu ter escolhido outra profissão mais promissora, onde você pensasse pouco e ganhasse muito. Mas a paixão que arde cada vez que uma ideia boa bate na cuca é algo emocionadamente viciante. Um vício que começa pelo cérebro e acaba lá mesmo. É nessa hora que você fica sentado, curtindo a vibe criativa que entretém seu ego. Pena durar tão pouco. Quando você menos espera, já recebe um PIT novo que fica estagnado no canto direito da sua mesa. Ideia vem, ideia vai e nada. Tudo é básico ou xerox falsa de uma campanha já existente. De um minuto para o outro, você deixou de ser o herói e virou o vilão. Até o momento que vem aquela ideia do caralho! (Termo usado por 99,99% dos publicitários quando uma ideia é alem do excepcional). É ai que o bicho pega, a overdose criativa acontece e a paixão vira amor. Tudo isso seguido pelo pensamento: eu amo o que faço, mas odeio o que me pagam. É inevitável, todo publicitário vai achar que recebe pouco pelo que faz. Mas sabe de uma coisa? É a pura verdade. Todos nós sabemos disso, mas temos medo de confrontar a dura, malvada e mentirosa realidade. É uma atitude covarde que se alimenta pelo amor ao trabalho. De vez em quando eu penso: e se houvesse uma greve dos publicitários? A resposta também é uma pergunta: iríamos ganhar mais? Pronto. Não ouso ir além disso numa discussão insana como essa. Pelo visto, deu pra perceber que essa minha indagação é tão medrosa quanto as decisões de alguns clientes regionais, que, em questão de inovação, estão mais que ultrapassados. Mas será que realmente eles têm medo? Ou apenas entraram naquela área cômoda onde as ideias criativas caíram mortas dando lugar à preguiça cerebral? Enfim, vou parar por aqui. Até porque já são muitas perguntas para alguém que sempre tem que ter respostas.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Lembranças.
Ela tinha um cabelo curto, aqueles bem modernos para a época, onde quase ninguém sabia quem era Eddie e achava que Bossa Nova era música para idosos (Ainda bem que a gente amadurece). Hoje, ser “cult” é ser legal. Engraçado como as coisas mudam, não é mesmo? Pois é, nossa amizade também mudou. Mas nesse caso, eu acho que mudar não é a palavra certa, desaparecer seria mais apropriado. Tudo bem que a gente não tinha aquela amizade, onde você sabe tudo sobre a pessoa e a pessoa sobre você. Mas você sente que existe algo diferente, uma conexão. Muitos dizem destino, outros dizem que são os cosmos iluminados, eu digo que bateu e pronto.
Até hoje eu lembro, um sorriso lindo com aqueles dentes brancos bem juntinhos. Ela sorria, todo mundo sorria junto. E as unhas? Coloridas conforme a roupa. Se saísse de camisa azul, as unhas eram azuis. E olhe que ela, como toda pessoa normal, mudava de roupa todo santo dia. É, tudo bem, ela não era assim, tão normal, mas era limpinha. Limpinha até demais. Mas, voltando às unhas, e que unhas, eram grandes e, além de chamarem muita atenção, faziam um carinho que só elas sabiam fazer. Para cima, para os lados e para baixo. Bastava isso e todos os cabelos do corpo subiam imediatamente. Às vezes, parecia até que tinham vida própria.
Ela usava colares diferentes, várias pulseiras e sempre balançava bastante a mão quando falava com alguém.
- Xandão! E logo depois vinha um abraço. Só três pessoas me chamavam assim: ela, a melhor amiga dela e uma personagem de outra história. De vez em quando, a melhor amiga dela ainda me chama assim, mas confesso que não gosto de ouvir. Não por não gostar do apelido, mas por trazer lembranças.
Lembranças de uma simples ligação: - Você soube?! E veio a surpresa: - Isso é mentira! Você é doida?! Infelizmente, a pessoa do outro lado do telefone não tinha nenhum problema mental. Ainda lembro como se fosse ontem. As lágrimas caindo, meu primo ao meu lado e minhas mãos indo em direção à parede. Murros e mais murros seguidos de raiva, ódio, desespero, tristeza, solidão.
Cadê o sorriso encantador? Cadê as unhas que faziam carinho nas minhas costas? Cadê o abraço que me recebia tão calorosamente? Cadê minha amiga? Cadê Nany?
A dor vinha e a imagem daquela menina meiga, inteligente e super divertida a acompanhava. Desespero e mais desespero. Aliás, não sei nem que palavra usar. Desespero é simples, básico. Queria algo mais forte, mas até hoje não encontrei. O sorriso, transformado em choro. O abraço, em vazio. A unha, em algo irreversível.
Em 2005, eu tinha uma amiga que deixou de ser minha amiga. Não houve briga, nem confusão. Houve o inesperado, o inconstante, a vida. E digo: nunca tive oportunidade de dizer que a amava como uma grande amiga.
Beijos Nany. Espero te encontrar de novo e quem sabe poder receber aquele carinho que fazia qualquer cabelo ficar arrepiado.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Este filme de novo?
Como eu disse: a fórmula é sempre a mesma. O que muda é a maneira de falar. Engraçado é que sempre dá certo. A plateia feminina chora e a masculina esconde o choro e diz que o filme não foi nada demais. No final das contas, os dois aprovam e perguntam se aquilo pode ser real – em outras palavras, se pode acontecer com eles -.
O problema é que a mocinha da vida real é mais iludida do que a da ficção, sempre espera o melhor do mocinho, mas ele, além de ser bem menos perfeito, agrada qualquer uma que lhe estender a mão. Além disso, e para piorar a situação, o bendito do malvado só vive em extinção.
Vai ver que esse é o motivo do sucesso dessa fórmula. Tentar abrir os olhos de quem vive assistindo a mesma história e se quer aprende algo com ela. Acho que os roteiristas, diretores, produtores – enfim, seres pensantes – lançam esses filmes com apenas uma finalidade: mudar nossas cabecinhas.
Não sei se vão conseguir. Mas que vão lucrar... Isso sim é fato.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Num certo lugar.
Outro sentimento estagnado é a saudade. Saudade de abrir os olhos, apesar de já estarem abertos. Sinto falta de saber por onde ando e se esse caminho é o certo. Acho que foi esse o motivo que me fez estar onde estou. Se você não presta atenção quando faz pela primeira vez, a segunda vai acontecer muito mais fácil. Por isso que assassino é assassino. A primeira é quase impossível, a segunda é difícil, a terceira já começa a ser apenas o simples apertar o gatilho.
E quando você menos espera, a escuridão obscurece o seu ambiente. E você se pergunta: onde estou? Para onde vou? O que faço? Ai vai olhar para um lado e vai ver escuridão. Vai olhar pro outro e vai ver o desconhecido.
É. Acho melhor me arriscar pelo desconhecido, quem sabe eu tenho a sorte de encontrar uma vela, alguns fósforos e poder acender uma luz que ilumine novamente o meu caminhar.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ela mudou.
Eles veem que a mudança carrega fardos. Alguns bons, outros ruins. Mas, em tudo, reconhecem que a vida é bem melhor quando as mudanças acontecem. E, mesmo após vários anos, podem olhar para uma pessoa e dizer: ela mudou. Nem pra melhor, nem pra pior. Apenas mudou.
domingo, 12 de julho de 2009
A você. Que me apresentou a mais uma de Vinicius.
Ou a regra três abusou de mim?
Só sei que, num piscar de olhos,
Entrei no temido lugar, onde o menos vale mais.
Ou o mais vale menos.
O que importa? Agora, tudo vale igual.
Bem que ele disse: o perdão também cansa de perdoar.
Pelo visto, vou curtir o deserto. Apenas só ou sozinho.
Num escuro perturbante.
Mas com a brecha de luz daquela lâmpada que insiste em brilhar.
E mesmo que com tão pouco você já foi,
Acredito que com o muito você ficou.
Porque os momentos felizes deixaram raízes no penar.
E se um dia a tristeza quiser entrar,
Lá estarei eu, lembrando do melhor sorriso.
E quem sabe, poderei até chorar.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Só pra postar.
Petrificado numa posição inadequada, que denunciava sua angústia pela tal imagem, o homem pensava baixo, analisando o suposto autor daquela obra-de-arte.
- Será que é de Vermeer? Reforço nos detalhes, símbolos naturais. Mas...
Algo estava errado. O quadro tinha uma característica própria, tão gritante quanto a incapacidade de conseguir encontrá-la. Mas sabia-se que ela estava lá. A dúvida do devido autor reinava sobre sua mente, até que uma bela moça, com um vestido longo, de corte especial que mostrava suas lindas pernas, tão hidratadas quanto o seu rosto, que, além de ser belo, passava uma delicadeza divina, olha para a imagem e instantaneamente diz:
- Lindo. Só poderia ser Chen Bo.
Nesse exato e único momento, só veio uma palavra na boca do homem: humilhação. Ainda bem que ele estava no processo de “pensar baixo”, não chamando a atenção da linda e charmosa mulher. Logo, ele percebeu algo até então inédito, que o incomodou por completo; realmente não entendia nada de arte, principalmente de pintura. Após o impacto da tal descoberta, ele começou a olhar para a imagem de outra forma, perdeu seu posto de soberania, quebrando com toda a angústia, e desceu para algo mais desfrutador, onde ele apreciava com total prazer a tal imagem, sem questioná-la, apenas olhava e olhava, sem nenhuma intenção a mais.
E de alguém que não conseguia ver a beleza exemplar da imagem, porque achava estar num posto superior e impróprio para ser encantado pela mesma, ele descobriu que é mais satisfatório ser humilde e conseguir apreciar o que há de melhor.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Futuro promissor
04. Deputado é preso após ter roubado 6 milhões de reais que deveriam ser destinados para a construção de uma rodovia. Ele afirma que o dinheiro estava sendo guardado para devidas precauções futuras.
06. O ator Luís Verdana acaba de se separar da sua mulher. O casamento durou apenas 4 meses. Olha olha. E outra, ator da globo é pego usando cocaína em festa. Atriz aparece na internet fazendo relações sexuais com três homens.
07. Pu%# que Pa$#u. Tá Fo!@ o programa hoje. Cara@#$!. Pois é assim mesmo, aqui é na base da porrada, porr@. E se não gostou, vá tom$@ no c#. Seu merdinha burguês.
09. Enchente desabriga 100 mil pessoas no Norte e Nordeste do Brasil. Estado declara emergência. O dinheiro que deveria ajudar essas famílias sumiu, o governo diz não saber o porquê do fato, mas diz que vai pesquisar.
11. Vemos aq... o que aconte... qua... tira... o lugar. Sempre é vis... poi... o úni... momen... deve ter na educação... Senhor Moisé..... explica que o núme.... deve est..... compli... aqui.
13. Estamos em mais uma final do BBB. Ligue agora e tire alguém da casa. Pegue o seu telefone da Tim, aquele Nokia lindo, use uma camisa de C&A, coloque um Super Bond no seu boneco da Estrela preferido e ligue. Ou mande uma mensagem e concorra a um Pálio Fire 1.8 com um som da Sony.
É comprovado que uma criança passa no mínimo 4 horas diárias na frente de uma TV. Futuro promissor o Brasil terá pela frente, não acha?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
P/B.
Aos poucos o colorido ia sumindo, dando espaço ao preto. Não se via mais o amarelo, tão belo e comovente, presente num dos momentos mais perfeitos: o pôr-do-sol; ou no cabelo louro daquela mulher que chama atenção com os saltos altos, as roupas de moda e o estilo simpático de ser. O azul do mar, que preenchia quase toda a imagem com sua exuberância, foi-se; assim como as calças jeans que cobriam os corpos daquele casal, sentado na beira da praia, curtindo o momento. O verde das paisagens, da natureza, dos coqueirais, do contato direto com o mundo, desapareceu. O vermelho foi o que mais resistiu, não por ter suspeitado do preto, mas por representar o que há de mais importante: o amor; visto no pôr-do-sol, na mulher loura e no belo casal que olhava o mar.
Tudo ficou preto. Até que surgiu o branco, que, ao se juntar com o preto, deu vida ao cinza. No começo, tudo ficou sem nexo, sem efeito, sem emoção; mas depois, quando o cinza deu contraste à imagem, quando o branco limitou os espaços e quando o preto deixou de ser egoísta, a imagem tornou-se algo mais chocante, divino e emotivo; direcionando-se a um patamar superior. O pôr-do-sol ficou mais perfeito do que nunca; a loura, que deixou de ser loura, chamou ainda mais atenção; o mar tornou-se mais amplo e espaçoso, atribuindo mais vida a tal imagem; a natureza gritou, afirmando estar lá, persistindo em comparecer, mesmo quando a maltratamos. E o amor ficou ainda mais apaixonante e sentimental, contrariando todas as dúvidas outrora vividas.
Tudo era preto e branco, mas tudo parecia estar mais colorido do que nunca. Não pelas cores em si, mas pela emoção que a imagem passava. Antes, o colorido estava parado, acomodado em fazer apenas sua parte; estava sem vida, sem graça. Agora, mesmo ausente, ele gritava e pulava. Era como se ele vibrasse a beleza da nova imagem, que deixara de ser colorida, para torna-se preta e branca.
E viu que certas vezes é preciso perder as cores, dar-se por algo mais humilde, porém mais cativante. Perdeu-se as cores chamativas, fortes, quentes; mas se ganhou emoção, sentimento, vida. Pois o foco deixou de ser o colorido e passou a ser o detalhe, que, se você reparar, é o grande responsável pela perfeição da imagem.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Do ninguém ao alguém.
Certamente, ser alguém na vida não é um fardo a ser adquirido por ele. Mas, como a vida é cheia de acontecimentos divinos que surpreendem a cada movimento de um ponteiro de relógio, ele descobriu um alguém e, inesperadamente, se apaixonou. Só isso bastou. Nada além seria necessário para mudar a atual posição de retrocedência, grudada bruscamente no seu ser, um retrocesso fatal que causava uma inquietação aniquiladora, algo como: não sou ninguém.
Bastou isso. Saber que alguém precisava dele, que um olhar nos olhos pode durar uma eternidade, mesmo que ela seja meros segundos. Ser importante e dar importância à pessoa. Tocar. Acariciar. Se dar. Bastou. Nada mais. De um segundo para o outro, ele deixava seu posto de ninguém, para se consagrar como um alguém. Uma utopia que na verdade era lúdica. Utopia, por ser o ideal que o levava à condição de existência; lúdica, por ser tão insegura que, com uma fragilidade única, pode tornar-se uma brincadeira amorosa, assim como ser pego num pega-pega da vida.
Mas ele sabia que valia apena arriscar. Essa sensação não era apenas uma reação química dentro do seu cérebro, era algo a mais. Mesmo com a eterna dúvida do ter mesmo não tendo, ele sabia que ela, ao se aproximar tão intimamente, modificou seu estado de um ser inexistente para um ser apaixonado.
Quem dera. Por causa de um outro qualquer, ele conseguiu ser alguém.
sábado, 4 de abril de 2009
Pão de todos os dias.
Já a outra tem um jeito extrovertido de ser, citando coisas inusitadas e demasiadamente impróprias na sala de aula, mas tudo para expressar o que sente. Engraçado são as caras e bocas que faz para se expressar. Se gosta, ama; se não gosta, odeia; e faz de tudo para demonstrar isso. Coloca a mão no fogo por você e o defende com todas as forças.
À elas, meu pão de todos os dias, mando beijos, abraços, carinho, tudo o que tiver de melhor em mim. Pois a vida é algo melhor com elas. Um triângulo amoroso onde apenas a amizade reina, nada mais. Eu amo aqui, ela ama ali e a outra ama lá; e tudo se completa, completando todos nós. Sempre na medida do possível e do impossível.
Quem disse que não existe amizade entre homem e mulher realmente não soube amar.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Sorte.
Mensagem, te espero. E você que vai mandar, quem sabe um dia a gente possa se amar. Quem sabe. E outra, se for uma galega linda, gente fina, de uma feição divina, com carinhas apaixonantes, melhor ainda. Mas, será que essa mulher existe? Quem dera. Se eu for sortudo, encontro. Se não, posso até encontrar, mas provavelmente ela vai estar namorando, casada, com amante, seja o que for. Por isso, peço: sorte, mesmo sem acreditar em você, chega pra mim. Azar, dá o lavra bicho. Sorte, vem dizer um oi. Que do oi eu faço algo maior. Te seguro firme e forte e não solto mais. Aí quem sabe, a mulher se transforme em realidade e a gente possa se amar.
Bons tempos
Bons tempos. Onde crianças brincavam na rua e aprendiam com o natural o que é ser adulto. Bola de gude, pião, pipa, pega ladrão. Onde vocês estão? Provavelmente mortos. Ou com uma doença degenerativa. Pena. Que pena mesmo. Vocês vão fazer falta pros meus filhos.
Bons tempos. Onde amar era a fonte de energia da vida, o ápice da busca interior, o centro do ser humano. Hoje, o amor se esconde, aparece pra poucas pessoas e ainda assim várias dessas teimam em não entendê-lo, deixando-o desfigurado. Onde o teatro, a leitura, a imaginação eram prazerosos. Hoje, o prazer virou obrigação. Onde havia aquela velha praia com o pôr-do-sol e os amigos. Risos e mais risos. O luau e o violão. Definitivamente mortos. Pelo menos, na minha humilde terra. Pena. Que pena mesmo.
E assim vou, revivendo a partir dos sonhos algo que eu queria fazer, mas não posso: ter os bons tempos. Absurdo. Quem dera meus netos possam ter isso, mas duvido muito. Na melhor da hipótese, eles ainda vão ouvir falar, pelo menos uma vez, quem foi Vinícius de Moraes. E só saberão o nome, nada mais do que isso. Na melhor das hipóteses.
Que pena ser a última geração da bolinha de gude, do futebol no canal, do polícia contra ladrão – sem armas de verdade -. É. Internet e TV. Vocês conseguiram. Realmente transformaram os bons tempos em tempos atuais. E viciaram os humanos. Nós. Eu. Que pena. Que pena mesmo. Espero que seja um vício benigno. Espero. Porque se não for: bem-vinda extinção.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Lua.
A lua sumiu, e com isso, some o amor. Lua minguante, nascente. Lua cheia. Qualquer uma, por favor, volte. Canso, mas não canso de pedir, porque preciso dela, que ela esteja aqui, para dar continuação ao que parei, mas não quis.
E o sol? O sol é pros amigos, pra vida, pro sorriso, pra diversão. Pros problemas, brigas, mas nem sempre discussão. Pra vida em si, cheia de momentos e alegrias que disponibilizam o prazer de viver esta vida. Além disso, todo dia tem sol, mas nem toda noite tem lua.
Ah, como eu queria a lua. E com ela, relembrar os velhos e bons momentos. Abraçadinho. Juntinho. Agarradinho. Vai dizer que não é bom? Não tem quem o diga. Tanto faz, tanto fez, o que é, será. Mas uma coisa eu digo: do mar, fez-se a beleza da praia, da praia, fez-se a lua e é na lua que o meu amor está.
Nem falo, nem irei falar. Apenas sei. Devo encontrar meu amor por aí. Andando na esquina da vida e no centro das coisas, olhando sempre pra lua e a lua olhando sempre pra ela.
Não sei você, mas eu sei de onde vem a lua. Não é o astro mais próximo da terra, nem mesmo um satélite natural, é uma espetacular e única obra de arte esculpida por Deus, que possui uma única intenção: aproximar os meros terráqueos da essência do verdadeiro amor conjugal.
Lua vem. Lua vai. Pára lua. De verdade, peço-te: vem. Apesar de o verdadeiro amor ter sumido na atual sociedade. Vem. Aparece e faz o que tu sabes fazer de melhor: amar.
E assim, ao te olhar, a gente possa lembrar da essência do amor. E, quem sabe, até mesmo, voltar a te beijar.
terça-feira, 10 de março de 2009
Esquizofrenia.
Deusa? Se existissem, provavelmente ela seria uma.
É. Foi necessário dedicar todo um parágrafo para a citação anterior e, ao fazê-lo, quebrar com a linha de raciocínio. Até porque nesse exato momento, vendo esse ser de beleza tão intensa, ter raciocínio lógico já é querer demais. Demais até. Além disso, a mão é tão “tão” que para falar do contexto no qual ela se encontra, a deusa, tive que criar um parágrafo novo. Vejamos e convenhamos, se ela é, teoricamente, uma deusa, então a cultuei com esse sacrifício: o parágrafo. Pronto. Fim dos benefícios em prol do sacrifício. Voltando.
Que mulher. Extrahiperlavangatemente linda. Isso mesmo. Uma nova palavra para decifrá-la. As já existentes não tiveram êxito na captação do ápice da ideal definição desse ser absurdamente magnífico.
E... ot a h b nd l ve m i f l e n d c l. Calma. Fiquei sem fôlego. Respira, inspira. Respira, inspira. Pronto. Tudo isso porque ela acabou de colocar as mãos na boca. E que boca. Tão sedutora que até parece que ela suspira com uma voz delicada, dizendo: - Vem cá me ter. É brega, mas foi tão surreal que valeu apena pagar esse mico. O toque foi delicado. Ocorreu entre o dedo apontador e aqueles beiços deliciosos. Ou aparentemente deliciosos – eu ainda não os experimentei -. Ainda. Espero.
Mas não é só a beleza exterior que fielmente encanta. Ao ver seus olhos, eu senti algo diferente. Um olhar tão apaixonante quanto o do primeiro amor. Ah, se eu tivesse dado mais valor ao primeiro amor, quem sabe nem precisaria estar aqui, olhando... Não. Esquece. Apaga o que eu pensei. Claro que estaria aqui, olhando essa bela mulher. Dando valor ou não ao primeiro amor. Sim. Eu estaria aqui. Porque, além de ser demasiadamente perfeita, ela tem um olhar impactante, fundo, expressivo. Melhor dizendo: apaixonante. Algo que me tele transporta para o seu interior. E que interior! Apesar de não conhecê-lo, vejo que ele transmite com dignidade o que ela é: um ser meigo, fofo, carinhoso e amoroso. Tão quanto ou mais do que a multiplicação da soma dos elogios de todas as partes do seu corpo. E digo mais, elogios vindos de mim.
Pois é. Que mulher. Pena não tê-la visto. Nem conhecido. Nem mesmo presenciado sua existência. Ah se ela não fosse apenas uma mera miragem amorosa, se assim posso dizer. Fruto do mundo existente entre o meu consciente e o inconsciente. Um momento de esquizofrenia própria, algo que os loucos não podem desfrutar.
Contudo espero um dia encontrar uma dessas, a mulher dos sonhos. Quem sabe ela vaga por aí. Até mesmo ela pode estar andando ao meu redor. Vagando em círculos e círculos sem fim. Não sei. Mas com certeza irei saber quando ela, delicadamente, colocar a mão na boca e eu, instantaneamente, ficar sem ar.
Ai sim. Quem sabe. A esquizofrenia vire realidade.
