quarta-feira, 29 de junho de 2011

GPS

Ah, se a vida tivesse GPS.
“No seu próximo relacionamento, acelere”.
“Siga neste caminho por mais 10 meses que você vai receber uma excelente proposta de emprego”.
“Para pegar a sua mulher colocando gaia em você, dobre à direita”.
No mínimo, a gente iria se preocupar menos e viver mais. Aliás, um GPS seria ideal não só para a vida das pessoas. Mas também para quem não está nem ai para a vida. Um exemplo: imagine aquele típico suicida. Coitado, fica horas e horas calculando as melhores formas de ter êxito em uma das únicas coisas que o faria feliz. Fora isso, ele sabe que, se fracassar, provavelmente nunca mais vai poder repetir o seu tão esperado plano. Repare na tensão desse rapaz. Com o GPS, ele não passaria por toda essa angústia.
“Não senhor, não pegue uma gilete para cortar o seu pulso. Você tem 95% de chances a mais se comprar uma arma e atirar na sua cabeça.”
Ok, concordo que esse não foi um exemplo politicamente correto. Mas já que entramos no assunto politicamente, não acha que seria fantástico ter um GPS que mostrasse quais são os políticos que você nunca deveria votar?
“O Leando da Silva, do PBFSD, está esperando a sua votação para dar uma acelerada na corrupção e começar a enriquecer.”
Melhor ainda seria na hora da cama.
“Agora, acaricie o seio esquerdo. Espere 15 segundos e entre no túnel respeitando o limite de velocidade.”
Pois é, tudo seria mais fácil. E, se você pensar direitinho, as pessoas seriam menos falsas. Até porque o GPS seria um ótimo dedo duro.
Filho - “Mãe, estou indo estudar na casa de Betinho”
GPS da Mãe - “Filho indo em direção a Porto de Galinhas”
Telefone da Mãe - “O que danado você está fazendo em Porto de Galinhas?”
Cinto da Mãe - “Tchá, pei, paft, puft!!!”
E um estraga prazeres melhor ainda.
Namorado - “Oi amor, estou indo dormir, tá?”
GPS da Namorada - “Namorado está se locomovendo para o Fiteiro.”
Namorada - “Hun, que bom! Finalmente posso ficar com o Sicrano sem ter aquele peso na consciência.”

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Arte e Vida.

Ela tinha 14 anos e muito mais do que cachos louros na cabeça. Enquanto os seus amigos brincavam de boneca ou empinar pipa nas tardes de sábado, ela já conversava sobre a novela das oito. Entendia cada personagem, as futilidades e complexidades da trama e o que tudo aquilo representava para a cultura pop brasileira. Ouvia a poesia de Chico, tentava entender os amores de Vinícius e se deslumbrava com a loucura de Tom. Mas nunca mudou a rádio quando o axé dava as suas caras e mostrava o quanto era bom dançar. Puxou ao pai, que amava arte, cinema e fotogragia. Nas manhãs dos domingos, trocava o sol e a praia por um passeio ao museu da cidade. Ficava pensativa com a arte de Mário Silésio e se encantava com as montanhas escarpadas multicoloridas de Claudio Fonseca. Passava a tarde lendo livros e escutando música, mas sempre com o computador ao lado esperando uma boa conversa com os amigos. Conhecia tudo sobre redes sociais, tinha conta no Twitter, escrevia num Blog e nunca se envolveu no Orkut, apenas no Facebook. Era apaixonada pelo o que fazia e tinha uma queda pelo o que nunca fez. Um beijo, um carinho, um amor. Nada do que lia nos livros ou escutava nas músicas fazia parte da sua vida. Nem sequer aquela troca de olhares entre dois desconhecidos que faz qualquer um ficar com friozinho na barriga e uma dúvida estagnada no cérebro. Foi ai que ela percebeu o quanto a sua vida deveria ter mais ação e menos ficção. Continuou lendo, apreciando as artes, indo a teatros, mas agora compartilhava tudo isso com o Pedro, que também a levava a jogos do estadual, fins de tarde na praia, beijos na frente da TV e viagens tão inesquecíveis que ela finalmente entendeu que, para se fazer uma obra de arte, é necessário viver.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

notícia

Era uma sexta-feria, mais ou menos 9 horas da noite, quando ele olhou para o céu à procura de uma resposta. Por azar, tinha acabado de chover e as estrelas saíram de cena, dando lugar às nuvens acizentadas. Se fosse um filme, com certeza a trilha sonora teria apenas um violão básico, no máximo um piano acompanhado de uma voz grave. Nenhum corte brusco, nem movimentos de câmera. Apenas o close no rosto do personagem principal da história, que tinha acabado de perder o seu grande amor num acidente grave horas antes. Mas como a vida não é nenhum filme, a única trilha que ele escutava era a dos carros passando só para lembrar ainda mais da sua dor. Pegou um cigarro, Free, porque estava querendo parar de fumar, e colocou na sua boca seca. Nessa hora, ele já não comia, só andava com o litro de álcool na sua mão esquerda esperando um sinal. Algo que o fizesse voltar atrás e dizer o quanto a amava. Entre um gole e outro, uma ideia controlava a sua mente de tal forma que ele não conseguia pensar em mais nada. “A culpa foi minha.” Uma briga antes do acidente tinha acontecido. Mais uma vez, ele esqueceu de baixar a tampa do vazo sanitário. Algo que ela odiava de todo o coração e ser, fazendo questão de reclamar sempre que o pegava no flagra. Mas dessa vez, ele não aguentou e discutiu sem tapas, mas com muita violência. Ninguém sabe se tinha sido o estresse do trabalho ou simplesmente o cansaço de ouvir a mesma coisa durante os 5 anos de relacionamento. Ela pegou a chave do carro e saiu chorando em desespero. Logo depois, veio a triste notícia. Ele desceu, comprou um cigarro e uma garrafa de uísque. Até parar num certo ponto e olhar para o céu. Bebeu, fumou, pensou. Entrou no seu carro e quis sair dirigindo com o ponteiro passando dos 180. Mas resolveu abrir o porta-luvas. O sinal que ele tanto esperava apareceu, uma foto com o filho do casal. Desligou o carro, jogou o cigarro e a bebida fora. Subiu e deitou na cama com o seu filho, abraçando-o da mesma forma que fazia todos os dias antes de dormir com a sua mulher.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Torcida.

É da torcida que vem a nossa força. É daqui que eles cantam com o corpo e gritam com a alma. Milhares e milhares numa só batida, guiados por uma única paixão. É da torcida que vem o peso da camisa, o respeito pelo brasão. Onde a nossa bandeira é erguida com orgulho e garra, de uma nação que só vive por uma única coisa: o gol. É nesses loucos e fanáticos que está a nossa grande reviravolta. Ouvir os seus gritos é o mesmo que ser guiado para a glória. O coração fala mais forte e o espírito domina todo o resto do corpo. É dessa torcida, a mais apaixonada do Brasil, que está a esperança de um dia ser o melhor. Vamos Santa Cruz.

domingo, 5 de setembro de 2010

Infância.

Na época do colégio, mais ou menos na sétima série, tinha uma tal de Juliana na sala. Sabe aquela menina muito simpática, que fala com todo mundo sempre mostrando um sorriso maior do que o próprio rosto? Até mesmo para aquele velhinho característico de 67 anos que vende bombom e picolé na saída de todo colégio? Pronto. Ela não era assim. Era pior. Bem pior que isso. Juliana, ou simplesmente Ju para os mais íntimos (e quando eu falo íntimos, eu quero dizer quase todo o colégio, com exceção do carteiro, que quase ninguém o via, o segurança solitário da madrugada e a diretora que tinha inveja do corpo sensual da simpática Ju. Aliás, para a diretora, Juliana Oliveira), deixava os garotinhos loucos. Uma coisa é certa, muitos desses pré-adolescentes passaram mais de 35 minutos no banheiro fazendo outra coisa que não era tomar banho. Tudo isso só por causa da Ju. Tá, tinha também essa historinha de que, nessa época, os hormônios estão à flor da pele. Mas ver a Ju falando com um pirulito vermelho na boca enquanto jogava o cabelo longo e louro para um lado e para outro era sacanagem. Não tinha falta de hormônio que segurasse os pensamentos férteis daqueles meninos. O Luquinhas mesmo, coitado, magro igual a sibito baleado, com aqueles óculos fundo de garrafa, um aparelho fixo e outro móvel que atrapalhavam bastante a sua dicção e uma coleção de espinhas na testa doada pelo cabelo oleoso que escondia a metade do seu rosto, era louco pela Ju. Enquanto os outros garotos passavam 35 minutos no banho, ele deveria passar, pelo menos, 1 hora e 20. E olhe que a criança tomava banho umas 4 vezes por dia. Ele era o mais apaixonado. Fazia declarações no seu caderno, que tinha na capa uma ilustração do Wolverine, personagem do X-Men. Pra você ter noção, uma vez, a Ju estava tão satisfeita com um pirulito, dessa vez de uva com chiclete dentro, que o intervalo tocou e o coitado do Luquinhas demorou uns 5 minutos pra levantar da cadeira. Provavelmente não queria passar vergonha quando, ao se levantar, todos os colegas percebessem que havia um corpo estranho querendo sair pelas suas calças. Acho que o Luquinhas só foi esquecer a Ju depois da sua segunda namorada, ou seja, lá pros 24 anos. Ninguém sabe dizer, mas a Ju foi a primeira menina dos sonhos de todos os garotos do colégio São Sebastião de Lurdes Maria Castro Batista de Boa Viagem. Era por isso que ninguém gostava do Fernando, aquele paulista otário, feio, chato, riquinho metido à merda que namorava a lindíssima e encantadora Ju. O garoto era quase do primeiro ano e tava com uma menina da sétima série. Que pedófilo. Não tinha vergonha nenhuma na cara. Ficava lá, beijando a Ju na frente de todos, como se tivesse mostrando um troféu pra uma plateia de fracassados. Mostrando não, lambuzando. Eu aposto que ele não sabia nem beijar direito. O Luquinhas mesmo, num ato desesperador de vingança e ciúme, já espremeu uma de suas espinhas no lanche do Fernando. E, apesar de realmente ser nojento, todo mundo aprovou, é claro.
- Oh, mano!
Oh, mano? Toma ai o "oh, mano", paulista de merda. Aposto que foi exatamente isso que todos os garotos pensaram naquela hora. Uma vingança por ter pego a garota da sala. A mais bela e inteligente de todas. Calma, inteligente nem tanto. Mas ela sempre tirava notas boas. Tudo bem que toda vez tinha alguém que dava fila pra a Ju, achando que algum dia ela iria retribuir com algo melhor do que um sorriso e um obrigado (que muitas vezes nem acontecia). Mas, apesar do ato nunca ter se concretizado, não custava nada tentar. O ruim é que o tempo foi passando, todo mundo foi crescendo. Inclusive a Ju. Aliás, em especial a Ju. Ela cresceu tanto, tanto que acabou ganhando outro apelido: Big Ju. Da sétima para o primeiro ano, a Ju engordou uns 30kg. O paulista foi o primeiro a se mandar. Engraçado é que, no final das contas, até que ele era um cara limpeza, gente fina. Acabou ficando no nosso grupinho quando a gente passou de ano e ele repetiu. Duas vezes. Mas o cara realmente era gente boa. Já a Ju, ou melhor, Big Ju não era mais aquela coisa, sabe? E a gente viu que tudo era passageiro, tudo mudava. Menos o velhinho do picolé, que, até hoje, ainda tá lá.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Meu meio.

Vida de redator é complicado. Quisera eu ter escolhido outra profissão mais promissora, onde você pensasse pouco e ganhasse muito. Mas a paixão que arde cada vez que uma ideia boa bate na cuca é algo emocionadamente viciante. Um vício que começa pelo cérebro e acaba lá mesmo. É nessa hora que você fica sentado, curtindo a vibe criativa que entretém seu ego. Pena durar tão pouco. Quando você menos espera, já recebe um PIT novo que fica estagnado no canto direito da sua mesa. Ideia vem, ideia vai e nada. Tudo é básico ou xerox falsa de uma campanha já existente. De um minuto para o outro, você deixou de ser o herói e virou o vilão. Até o momento que vem aquela ideia do caralho! (Termo usado por 99,99% dos publicitários quando uma ideia é alem do excepcional). É ai que o bicho pega, a overdose criativa acontece e a paixão vira amor. Tudo isso seguido pelo pensamento: eu amo o que faço, mas odeio o que me pagam. É inevitável, todo publicitário vai achar que recebe pouco pelo que faz. Mas sabe de uma coisa? É a pura verdade. Todos nós sabemos disso, mas temos medo de confrontar a dura, malvada e mentirosa realidade. É uma atitude covarde que se alimenta pelo amor ao trabalho. De vez em quando eu penso: e se houvesse uma greve dos publicitários? A resposta também é uma pergunta: iríamos ganhar mais? Pronto. Não ouso ir além disso numa discussão insana como essa. Pelo visto, deu pra perceber que essa minha indagação é tão medrosa quanto as decisões de alguns clientes regionais, que, em questão de inovação, estão mais que ultrapassados. Mas será que realmente eles têm medo? Ou apenas entraram naquela área cômoda onde as ideias criativas caíram mortas dando lugar à preguiça cerebral? Enfim, vou parar por aqui. Até porque já são muitas perguntas para alguém que sempre tem que ter respostas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lembranças.

Eu tinha uma amiga que deixou de ser minha amiga. Não houve briga, nem confusão. Deixou, sumiu, passou. Ou ficou, não sei ao certo. Mas a gente costumava ter uma bela amizade. Sabe quando você fica anos sem ver alguém, mas quando tem algum contato com essa pessoa é aquela festa? A gente era assim. Abraços, carinhos, conversas e nenhum duplo sentido. Coisa rara hoje em dia.
Ela tinha um cabelo curto, aqueles bem modernos para a época, onde quase ninguém sabia quem era Eddie e achava que Bossa Nova era música para idosos (Ainda bem que a gente amadurece). Hoje, ser “cult” é ser legal. Engraçado como as coisas mudam, não é mesmo? Pois é, nossa amizade também mudou. Mas nesse caso, eu acho que mudar não é a palavra certa, desaparecer seria mais apropriado. Tudo bem que a gente não tinha aquela amizade, onde você sabe tudo sobre a pessoa e a pessoa sobre você. Mas você sente que existe algo diferente, uma conexão. Muitos dizem destino, outros dizem que são os cosmos iluminados, eu digo que bateu e pronto.
Até hoje eu lembro, um sorriso lindo com aqueles dentes brancos bem juntinhos. Ela sorria, todo mundo sorria junto. E as unhas? Coloridas conforme a roupa. Se saísse de camisa azul, as unhas eram azuis. E olhe que ela, como toda pessoa normal, mudava de roupa todo santo dia. É, tudo bem, ela não era assim, tão normal, mas era limpinha. Limpinha até demais. Mas, voltando às unhas, e que unhas, eram grandes e, além de chamarem muita atenção, faziam um carinho que só elas sabiam fazer. Para cima, para os lados e para baixo. Bastava isso e todos os cabelos do corpo subiam imediatamente. Às vezes, parecia até que tinham vida própria.
Ela usava colares diferentes, várias pulseiras e sempre balançava bastante a mão quando falava com alguém.
- Xandão! E logo depois vinha um abraço. Só três pessoas me chamavam assim: ela, a melhor amiga dela e uma personagem de outra história. De vez em quando, a melhor amiga dela ainda me chama assim, mas confesso que não gosto de ouvir. Não por não gostar do apelido, mas por trazer lembranças.
Lembranças de uma simples ligação: - Você soube?! E veio a surpresa: - Isso é mentira! Você é doida?! Infelizmente, a pessoa do outro lado do telefone não tinha nenhum problema mental. Ainda lembro como se fosse ontem. As lágrimas caindo, meu primo ao meu lado e minhas mãos indo em direção à parede. Murros e mais murros seguidos de raiva, ódio, desespero, tristeza, solidão.
Cadê o sorriso encantador? Cadê as unhas que faziam carinho nas minhas costas? Cadê o abraço que me recebia tão calorosamente? Cadê minha amiga? Cadê Nany?
A dor vinha e a imagem daquela menina meiga, inteligente e super divertida a acompanhava. Desespero e mais desespero. Aliás, não sei nem que palavra usar. Desespero é simples, básico. Queria algo mais forte, mas até hoje não encontrei. O sorriso, transformado em choro. O abraço, em vazio. A unha, em algo irreversível.
Em 2005, eu tinha uma amiga que deixou de ser minha amiga. Não houve briga, nem confusão. Houve o inesperado, o inconstante, a vida. E digo: nunca tive oportunidade de dizer que a amava como uma grande amiga.

Beijos Nany. Espero te encontrar de novo e quem sabe poder receber aquele carinho que fazia qualquer cabelo ficar arrepiado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Este filme de novo?

É sempre a mesma fórmula. A mocinha está apaixonada pelo mocinho, que é quase perfeito, se não fosse os erros utópicos que só as amigas da mocinha veem, e até comentam, mas ela nunca consegue enxergá-los. Aliás, sabe que os erros existem, mas engana a si própria preferindo não vê-los. Até que aquele divino dia chega, acompanhado do encontro com o malvado, é claro. No começo, ela o odeia. Ele não passa de um ser falastrão, imoral, indecente, orgulhoso e, acima de tudo, sexy. Mas o tempo passa e traz um acontecimento que acarreta numa união drástica dos dois. Carro quebrado, contratação profissional, parceria musical e, até mesmo, ou melhor, na maioria das vezes, problemas supérfluos do interior feminino já foram os responsáveis por tal união. Eles são obrigados a passar um bom tempo juntos. Ela odeia isso, ele ama o fato dela odiar isso. E eis que, num certo momento, ao conhecer a sua linda sobrinha de cabelos lisos e sorriso meigo ou os seus melhores amigos que só falam bem dele e da tragédia que marcou a sua vida, ela para por um instante e olha mais atentamente para o até então odiado, incompetente e, não vamos esquecer, sexy ser humano. É, ele sempre está impecável nessa hora do filme. E, depois de um sorriso aqui e um abraço acolá, não é que ela encontra algo bom, amável, doce e deliciosamente irresistível no malvado? Milagrosamente se dá de conta que está completamente apaixonada pelo amor da sua vida. Ela se entrega, eles se beijam e a noite mais incrível acontece. Tudo está perfeito. Mas o mocinho do início do filme resolve aparecer. Ééééé, aquele mesmo que ela tanto amava. E agora? O que fazer? Ela pensa. O mocinho aparece com um pedido para deixar o relacionamento dos dois ainda mais sério. - muitas vezes é aquela velha imagem dos joelhos no chão, uma mão indo ao bolso e um impecável cubículo que guarda o tão preciso anel -. Ela fica petrificada. Olha para o ex malvado, olha para o mocinho e num ato desesperador – e burro – ela escolhe o último. Uma semana se passa. Mais três dias. Até que o rejeitado vai atrás dela, a encontra e conta tudo o que sente. O escolhido, corno e único personagem que ninguém tem pena, pergunta o que está acontecendo e quem é aquele intruso. Ela resolve se abrir e contar tudo. A desculpa é a mesma: não é você, sou eu. Às vezes o cara entende e às vezes o cara entende e ainda se vinga do desconhecido com um belo murro no meio do nariz. O nariz sangra, mas não quebra. A mocinha se abaixa desesperadamente e olha nos olhos do seu atual e grande amor. Ele sorrir. Ela sorrir. Os dois se beijam. E finalmente o malvado vira mocinho.
Como eu disse: a fórmula é sempre a mesma. O que muda é a maneira de falar. Engraçado é que sempre dá certo. A plateia feminina chora e a masculina esconde o choro e diz que o filme não foi nada demais. No final das contas, os dois aprovam e perguntam se aquilo pode ser real – em outras palavras, se pode acontecer com eles -.
O problema é que a mocinha da vida real é mais iludida do que a da ficção, sempre espera o melhor do mocinho, mas ele, além de ser bem menos perfeito, agrada qualquer uma que lhe estender a mão. Além disso, e para piorar a situação, o bendito do malvado só vive em extinção.
Vai ver que esse é o motivo do sucesso dessa fórmula. Tentar abrir os olhos de quem vive assistindo a mesma história e se quer aprende algo com ela. Acho que os roteiristas, diretores, produtores – enfim, seres pensantes – lançam esses filmes com apenas uma finalidade: mudar nossas cabecinhas.

Não sei se vão conseguir. Mas que vão lucrar... Isso sim é fato.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Num certo lugar.

Acabei de me encontrar, apesar de ainda continuar perdido. De um lado, escuridão; do outro, o desconhecido. Olho para frente e para baixo, mas não consigo enxergar absolutamente nada. Apenas um ponto branco escondido no dedinho minúsculo do meu pé direito. Tão pequeno que se acomoda perfeitamente entre o espaço insignificante do meu entre dedos. Mas, mesmo assim, ainda consigo ver o ponto tentando brilhar, tentando chamar minha atenção. Acho que, para completar seu objetivo, ele precisa se esforçar mais. Além dele, não vejo mais nada. Só sinto. Uma dor que na mesma hora é alegria. Uma alegria que na mesma hora é dor. Fico até confuso em tentar distinguir o primeiro do segundo, mas sei que eles são bastante diferentes.
Outro sentimento estagnado é a saudade. Saudade de abrir os olhos, apesar de já estarem abertos. Sinto falta de saber por onde ando e se esse caminho é o certo. Acho que foi esse o motivo que me fez estar onde estou. Se você não presta atenção quando faz pela primeira vez, a segunda vai acontecer muito mais fácil. Por isso que assassino é assassino. A primeira é quase impossível, a segunda é difícil, a terceira já começa a ser apenas o simples apertar o gatilho.
E quando você menos espera, a escuridão obscurece o seu ambiente. E você se pergunta: onde estou? Para onde vou? O que faço? Ai vai olhar para um lado e vai ver escuridão. Vai olhar pro outro e vai ver o desconhecido.

É. Acho melhor me arriscar pelo desconhecido, quem sabe eu tenho a sorte de encontrar uma vela, alguns fósforos e poder acender uma luz que ilumine novamente o meu caminhar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ela mudou.

O tempo passa, passa o tempo e, mesmo assim, algumas pessoas ainda continuam as mesmas. Mesmos pensamentos, mesmas ideologias, mesmos amigos, mesma vida. Não crescem, não vivem, não mudam. Não que elas sejam piores por causa disso, nem que elas sejam melhores por causa disso, elas apenas permaneceram as mesmas. Sem acrescentar nem subtrair nada na vida. Pena, não foram esponjas para absorverem o que a vida tem de melhor: ela mesma. Apenas continuaram, sem sal, sem gosto, sem nada. Num vazio contínuo de um cotidiano medíocre. A segunda é igual à terça; a terça, igual à quarta e assim sucessivamente. Na melhor das hipóteses, o sábado é diferente. E só ele, porque no domingo é necessário se conter, renovar a mente, e, só assim, continuar com a triste rotina. Sorte daqueles que têm um dia diferente, onde em todos os momentos há uma aventura nova, um sorriso novo, uma piada nova. Os que inovaram seus pensamentos, trabalharam novas ideologias, conheceram novos amigos, mudaram de vida. Esses sim, sabem absorver o que a vida tem de melhor. Não vivem no passado, pelo contrário, dão valor a ele olhando para o futuro. Veem as fotos e dizem: como eu era diferente; não fisiologicamente falando, mas psicologicamente e, quem sabe, espiritualmente. Relembram o passado como fonte de inspiração para o presente e assim dão mais valor aos amigos que um dia marcaram suas vidas. Aprendem que um sorriso vale mais, porque você não tem a certeza de que ele estará lá na próxima vez. E observam que as conversas não têm mais timidez, tudo é dito, mesmo que os assuntos não sejam mais o que antigamente costumavam ser. E descobrem que a inocência nem sempre acompanha os pensamentos. Que uma feição pode ser ilusória e passar uma expressividade que não está de acordo com a pura verdade sobre alguém.

Eles veem que a mudança carrega fardos. Alguns bons, outros ruins. Mas, em tudo, reconhecem que a vida é bem melhor quando as mudanças acontecem. E, mesmo após vários anos, podem olhar para uma pessoa e dizer: ela mudou. Nem pra melhor, nem pra pior. Apenas mudou.

domingo, 12 de julho de 2009

A você. Que me apresentou a mais uma de Vinicius.

Abusei da regra três?
Ou a regra três abusou de mim?
Só sei que, num piscar de olhos,
Entrei no temido lugar, onde o menos vale mais.
Ou o mais vale menos.
O que importa? Agora, tudo vale igual.
Bem que ele disse: o perdão também cansa de perdoar.
Pelo visto, vou curtir o deserto. Apenas só ou sozinho.
Num escuro perturbante.
Mas com a brecha de luz daquela lâmpada que insiste em brilhar.
E mesmo que com tão pouco você já foi,
Acredito que com o muito você ficou.
Porque os momentos felizes deixaram raízes no penar.
E se um dia a tristeza quiser entrar,
Lá estarei eu, lembrando do melhor sorriso.
E quem sabe, poderei até chorar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Só pra postar.

Atormentado com a imagem tão peculiar, ele se perdia no seu próprio intelecto, entre um certo subconsciente, que predominava na situação, e o consciente, declaradamente intrometido. Não aguentava mais olhá-la, não por ter traços precisos e equilibrados, desenhados com total perfeição, nem por apresentar cores que se encaixavam magicamente, como se ensaiassem seus passos desde crianças, mas por algo misteriosamente incógnito; que nem mesmo ele ousara saber.
Petrificado numa posição inadequada, que denunciava sua angústia pela tal imagem, o homem pensava baixo, analisando o suposto autor daquela obra-de-arte.
- Será que é de Vermeer? Reforço nos detalhes, símbolos naturais. Mas...
Algo estava errado. O quadro tinha uma característica própria, tão gritante quanto a incapacidade de conseguir encontrá-la. Mas sabia-se que ela estava lá. A dúvida do devido autor reinava sobre sua mente, até que uma bela moça, com um vestido longo, de corte especial que mostrava suas lindas pernas, tão hidratadas quanto o seu rosto, que, além de ser belo, passava uma delicadeza divina, olha para a imagem e instantaneamente diz:
- Lindo. Só poderia ser Chen Bo.
Nesse exato e único momento, só veio uma palavra na boca do homem: humilhação. Ainda bem que ele estava no processo de “pensar baixo”, não chamando a atenção da linda e charmosa mulher. Logo, ele percebeu algo até então inédito, que o incomodou por completo; realmente não entendia nada de arte, principalmente de pintura. Após o impacto da tal descoberta, ele começou a olhar para a imagem de outra forma, perdeu seu posto de soberania, quebrando com toda a angústia, e desceu para algo mais desfrutador, onde ele apreciava com total prazer a tal imagem, sem questioná-la, apenas olhava e olhava, sem nenhuma intenção a mais.

E de alguém que não conseguia ver a beleza exemplar da imagem, porque achava estar num posto superior e impróprio para ser encantado pela mesma, ele descobriu que é mais satisfatório ser humilde e conseguir apreciar o que há de melhor.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Futuro promissor

02. Menina de seis anos de idade é violentada pelo próprio pai. Ele diz que fez o ato porque não recebia “carinhos” suficientes da mulher, que colocava gaia nele com o seu melhor amigo. É bronca.
04. Deputado é preso após ter roubado 6 milhões de reais que deveriam ser destinados para a construção de uma rodovia. Ele afirma que o dinheiro estava sendo guardado para devidas precauções futuras.
06. O ator Luís Verdana acaba de se separar da sua mulher. O casamento durou apenas 4 meses. Olha olha. E outra, ator da globo é pego usando cocaína em festa. Atriz aparece na internet fazendo relações sexuais com três homens.
07. Pu%# que Pa$#u. Tá Fo!@ o programa hoje. Cara@#$!. Pois é assim mesmo, aqui é na base da porrada, porr@. E se não gostou, vá tom$@ no c#. Seu merdinha burguês.
09. Enchente desabriga 100 mil pessoas no Norte e Nordeste do Brasil. Estado declara emergência. O dinheiro que deveria ajudar essas famílias sumiu, o governo diz não saber o porquê do fato, mas diz que vai pesquisar.
11. Vemos aq... o que aconte... qua... tira... o lugar. Sempre é vis... poi... o úni... momen... deve ter na educação... Senhor Moisé..... explica que o núme.... deve est..... compli... aqui.
13. Estamos em mais uma final do BBB. Ligue agora e tire alguém da casa. Pegue o seu telefone da Tim, aquele Nokia lindo, use uma camisa de C&A, coloque um Super Bond no seu boneco da Estrela preferido e ligue. Ou mande uma mensagem e concorra a um Pálio Fire 1.8 com um som da Sony.



É comprovado que uma criança passa no mínimo 4 horas diárias na frente de uma TV. Futuro promissor o Brasil terá pela frente, não acha?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

P/B.

A tinta preta entrou em ação. De fininho, ganhou seu espaço, um por um. O amarelo, o azul e o verde nem desconfiaram da infiltração do preto. O vermelho até que desconfiou, mas foi imprudente ao tentar alertar as outras cores.
Aos poucos o colorido ia sumindo, dando espaço ao preto. Não se via mais o amarelo, tão belo e comovente, presente num dos momentos mais perfeitos: o pôr-do-sol; ou no cabelo louro daquela mulher que chama atenção com os saltos altos, as roupas de moda e o estilo simpático de ser. O azul do mar, que preenchia quase toda a imagem com sua exuberância, foi-se; assim como as calças jeans que cobriam os corpos daquele casal, sentado na beira da praia, curtindo o momento. O verde das paisagens, da natureza, dos coqueirais, do contato direto com o mundo, desapareceu. O vermelho foi o que mais resistiu, não por ter suspeitado do preto, mas por representar o que há de mais importante: o amor; visto no pôr-do-sol, na mulher loura e no belo casal que olhava o mar.
Tudo ficou preto. Até que surgiu o branco, que, ao se juntar com o preto, deu vida ao cinza. No começo, tudo ficou sem nexo, sem efeito, sem emoção; mas depois, quando o cinza deu contraste à imagem, quando o branco limitou os espaços e quando o preto deixou de ser egoísta, a imagem tornou-se algo mais chocante, divino e emotivo; direcionando-se a um patamar superior. O pôr-do-sol ficou mais perfeito do que nunca; a loura, que deixou de ser loura, chamou ainda mais atenção; o mar tornou-se mais amplo e espaçoso, atribuindo mais vida a tal imagem; a natureza gritou, afirmando estar lá, persistindo em comparecer, mesmo quando a maltratamos. E o amor ficou ainda mais apaixonante e sentimental, contrariando todas as dúvidas outrora vividas.
Tudo era preto e branco, mas tudo parecia estar mais colorido do que nunca. Não pelas cores em si, mas pela emoção que a imagem passava. Antes, o colorido estava parado, acomodado em fazer apenas sua parte; estava sem vida, sem graça. Agora, mesmo ausente, ele gritava e pulava. Era como se ele vibrasse a beleza da nova imagem, que deixara de ser colorida, para torna-se preta e branca.
E viu que certas vezes é preciso perder as cores, dar-se por algo mais humilde, porém mais cativante. Perdeu-se as cores chamativas, fortes, quentes; mas se ganhou emoção, sentimento, vida. Pois o foco deixou de ser o colorido e passou a ser o detalhe, que, se você reparar, é o grande responsável pela perfeição da imagem.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Do ninguém ao alguém.

Quem dera. Ele nunca conseguiu ser alguém na vida, quanto mais agora, nesse momento delicado e incerto. Nas oportunidades, não assegurava seu lugar no pódio para garantir um espaço, mesmo que seja medíocre, como o terceiro lugar. Nas desvantagens, que sempre estiveram presentes no seu caminhar, ele nunca se sobressaiu, nem quis, nem buscou. Sempre fora um ser ordinário e trivial. Tão insignificante quanto seus livros não lidos guardados eternamente nas estantes do seu quarto, que usara apenas para dormir, quando não tinha insônia.
Certamente, ser alguém na vida não é um fardo a ser adquirido por ele. Mas, como a vida é cheia de acontecimentos divinos que surpreendem a cada movimento de um ponteiro de relógio, ele descobriu um alguém e, inesperadamente, se apaixonou. Só isso bastou. Nada além seria necessário para mudar a atual posição de retrocedência, grudada bruscamente no seu ser, um retrocesso fatal que causava uma inquietação aniquiladora, algo como: não sou ninguém.
Bastou isso. Saber que alguém precisava dele, que um olhar nos olhos pode durar uma eternidade, mesmo que ela seja meros segundos. Ser importante e dar importância à pessoa. Tocar. Acariciar. Se dar. Bastou. Nada mais. De um segundo para o outro, ele deixava seu posto de ninguém, para se consagrar como um alguém. Uma utopia que na verdade era lúdica. Utopia, por ser o ideal que o levava à condição de existência; lúdica, por ser tão insegura que, com uma fragilidade única, pode tornar-se uma brincadeira amorosa, assim como ser pego num pega-pega da vida.
Mas ele sabia que valia apena arriscar. Essa sensação não era apenas uma reação química dentro do seu cérebro, era algo a mais. Mesmo com a eterna dúvida do ter mesmo não tendo, ele sabia que ela, ao se aproximar tão intimamente, modificou seu estado de um ser inexistente para um ser apaixonado.

Quem dera. Por causa de um outro qualquer, ele conseguiu ser alguém.

sábado, 4 de abril de 2009

Pão de todos os dias.

Ela fecha os olhos, deixando apenas uma brechinha do globo ocular à mostra. E no mesmo instante, puxa levemente as bochechas pra dentro da boca, fazendo um biquinho, igual àqueles de uma criança encantadora pedindo um beijinho. É lindo. Tudo tão simples e repetitivo, mas tão charmoso e meigo. Sabe quando alguém faz algo tão surpreendente e belo que você quer dar um aperto naquela pessoa? É exatamente isso que ocorre quando esse ato sublime acontece.
Já a outra tem um jeito extrovertido de ser, citando coisas inusitadas e demasiadamente impróprias na sala de aula, mas tudo para expressar o que sente. Engraçado são as caras e bocas que faz para se expressar. Se gosta, ama; se não gosta, odeia; e faz de tudo para demonstrar isso. Coloca a mão no fogo por você e o defende com todas as forças.
À elas, meu pão de todos os dias, mando beijos, abraços, carinho, tudo o que tiver de melhor em mim. Pois a vida é algo melhor com elas. Um triângulo amoroso onde apenas a amizade reina, nada mais. Eu amo aqui, ela ama ali e a outra ama lá; e tudo se completa, completando todos nós. Sempre na medida do possível e do impossível.

Quem disse que não existe amizade entre homem e mulher realmente não soube amar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sorte.

Acordei e ainda era de noite. Tão escuro que sentia minha mão tocar no meu rosto, mas não conseguia vê-la. Aí, pensei: levanto pra acender a luz? Instantaneamente veio a resposta: claro que não. Ainda hesitei em levantar, mas nem fiz. A preguiça falou mais alto. De repente, o celular toca. Mas não era toque de ligação, era algo melhor: mensagem. Logo, veio em mente: Será que é ela? Com a luz do celular, consegui alcançá-lo e, ansioso, chequei a mensagem. Não era ela. Era a porcaria da Tim dizendo que eu tinha direito a 30 mil reais, se eu pagasse R$ 5 e participasse de uma promoção. Quem dera, nunca ganhei um mero Big Big num bingo, quanto mais uma promoção da Tim. Ainda nem sei como continuo jogando na Mega-Sena. Isso é pra sortudos, e sortudo com certeza eu não sou. Se fosse, teria acordado de manhã, na hora certa pra começar o dia; ao acordar, teria visto o celular e nele estaria uma mensagem dela, com palavras lindas que me causassem um pouco de satisfação emocional. Mas não. Não sou sortudo. Deixa isso pras pessoas que, apostando só uma vez na vida, conseguem ganhar na Mega-Sena. E pior, ainda gasta todo o dinheiro, joga mais uma vez, e ganha de novo. Isso não existe. Sério. Mas por que ele merece isso e eu não? Será que eu nasci num dia de lua cheia? Ou ele nasceu com a bunda virada pra cima? Não sei. Apenas sei que um dia eu espero acordar na hora certa, com uma mensagem de uma pessoa que eu amo dizendo coisas lindas que me causem um pouco de satisfação emocional. Melhor ainda se for muita satisfação emocional. Nem preciso ganhar na Mega-Sena, até porque isso já é pedir demais. E outra: quem tem sorte no amor, tem azar no jogo. Apesar de não acreditar na sorte e, consequentemente, no azar. Pois é. Mas numa coisa eu acredito: no amor.
Mensagem, te espero. E você que vai mandar, quem sabe um dia a gente possa se amar. Quem sabe. E outra, se for uma galega linda, gente fina, de uma feição divina, com carinhas apaixonantes, melhor ainda. Mas, será que essa mulher existe? Quem dera. Se eu for sortudo, encontro. Se não, posso até encontrar, mas provavelmente ela vai estar namorando, casada, com amante, seja o que for. Por isso, peço: sorte, mesmo sem acreditar em você, chega pra mim. Azar, dá o lavra bicho. Sorte, vem dizer um oi. Que do oi eu faço algo maior. Te seguro firme e forte e não solto mais. Aí quem sabe, a mulher se transforme em realidade e a gente possa se amar.

Bons tempos

Ah, os bons tempos. Onde telespectadores podiam assistir Vinícius e Tom cantando poemas emocionantes na, até então, respeitada Rede Globo. “...a sorrir, a cantar, a pedir, a beleza de amar.” Algo emocionantemente brilhante.
Bons tempos. Onde crianças brincavam na rua e aprendiam com o natural o que é ser adulto. Bola de gude, pião, pipa, pega ladrão. Onde vocês estão? Provavelmente mortos. Ou com uma doença degenerativa. Pena. Que pena mesmo. Vocês vão fazer falta pros meus filhos.
Bons tempos. Onde amar era a fonte de energia da vida, o ápice da busca interior, o centro do ser humano. Hoje, o amor se esconde, aparece pra poucas pessoas e ainda assim várias dessas teimam em não entendê-lo, deixando-o desfigurado. Onde o teatro, a leitura, a imaginação eram prazerosos. Hoje, o prazer virou obrigação. Onde havia aquela velha praia com o pôr-do-sol e os amigos. Risos e mais risos. O luau e o violão. Definitivamente mortos. Pelo menos, na minha humilde terra. Pena. Que pena mesmo.
E assim vou, revivendo a partir dos sonhos algo que eu queria fazer, mas não posso: ter os bons tempos. Absurdo. Quem dera meus netos possam ter isso, mas duvido muito. Na melhor da hipótese, eles ainda vão ouvir falar, pelo menos uma vez, quem foi Vinícius de Moraes. E só saberão o nome, nada mais do que isso. Na melhor das hipóteses.
Que pena ser a última geração da bolinha de gude, do futebol no canal, do polícia contra ladrão – sem armas de verdade -. É. Internet e TV. Vocês conseguiram. Realmente transformaram os bons tempos em tempos atuais. E viciaram os humanos. Nós. Eu. Que pena. Que pena mesmo. Espero que seja um vício benigno. Espero. Porque se não for: bem-vinda extinção.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Lua.

A lua veio, e com ela, o amor. Dedos acariciando dedos. Mãos tocando mãos. Boca com boca. E o beijo. Tudo a favor da lua.
A lua sumiu, e com isso, some o amor. Lua minguante, nascente. Lua cheia. Qualquer uma, por favor, volte. Canso, mas não canso de pedir, porque preciso dela, que ela esteja aqui, para dar continuação ao que parei, mas não quis.
E o sol? O sol é pros amigos, pra vida, pro sorriso, pra diversão. Pros problemas, brigas, mas nem sempre discussão. Pra vida em si, cheia de momentos e alegrias que disponibilizam o prazer de viver esta vida. Além disso, todo dia tem sol, mas nem toda noite tem lua.
Ah, como eu queria a lua. E com ela, relembrar os velhos e bons momentos. Abraçadinho. Juntinho. Agarradinho. Vai dizer que não é bom? Não tem quem o diga. Tanto faz, tanto fez, o que é, será. Mas uma coisa eu digo: do mar, fez-se a beleza da praia, da praia, fez-se a lua e é na lua que o meu amor está.
Nem falo, nem irei falar. Apenas sei. Devo encontrar meu amor por aí. Andando na esquina da vida e no centro das coisas, olhando sempre pra lua e a lua olhando sempre pra ela.
Não sei você, mas eu sei de onde vem a lua. Não é o astro mais próximo da terra, nem mesmo um satélite natural, é uma espetacular e única obra de arte esculpida por Deus, que possui uma única intenção: aproximar os meros terráqueos da essência do verdadeiro amor conjugal.
Lua vem. Lua vai. Pára lua. De verdade, peço-te: vem. Apesar de o verdadeiro amor ter sumido na atual sociedade. Vem. Aparece e faz o que tu sabes fazer de melhor: amar.

E assim, ao te olhar, a gente possa lembrar da essência do amor. E, quem sabe, até mesmo, voltar a te beijar.

terça-feira, 10 de março de 2009

Esquizofrenia.

Eu olhei para aquelas mãos. E que mãos. Aparentemente leves, bem cuidadas – o tipo de pessoa que banha suas preciosas extremidades dos membros superiores com três tipos diferentes de hidratantes antes e depois de dormir – e absurdamente lindas. Até demais. Eram tão meigas que nem a veia sanguínea que pulava míseros milímetros da pele da mão direita estragava a perfeição daquelas mãos. E olhe que eu ainda estou falando das mãos. Uma divindade insignificante se comparada com o conjunto da obra.
Deusa? Se existissem, provavelmente ela seria uma.
É. Foi necessário dedicar todo um parágrafo para a citação anterior e, ao fazê-lo, quebrar com a linha de raciocínio. Até porque nesse exato momento, vendo esse ser de beleza tão intensa, ter raciocínio lógico já é querer demais. Demais até. Além disso, a mão é tão “tão” que para falar do contexto no qual ela se encontra, a deusa, tive que criar um parágrafo novo. Vejamos e convenhamos, se ela é, teoricamente, uma deusa, então a cultuei com esse sacrifício: o parágrafo. Pronto. Fim dos benefícios em prol do sacrifício. Voltando.
Que mulher. Extrahiperlavangatemente linda. Isso mesmo. Uma nova palavra para decifrá-la. As já existentes não tiveram êxito na captação do ápice da ideal definição desse ser absurdamente magnífico.
E... ot a h b nd l ve m i f l e n d c l. Calma. Fiquei sem fôlego. Respira, inspira. Respira, inspira. Pronto. Tudo isso porque ela acabou de colocar as mãos na boca. E que boca. Tão sedutora que até parece que ela suspira com uma voz delicada, dizendo: - Vem cá me ter. É brega, mas foi tão surreal que valeu apena pagar esse mico. O toque foi delicado. Ocorreu entre o dedo apontador e aqueles beiços deliciosos. Ou aparentemente deliciosos – eu ainda não os experimentei -. Ainda. Espero.
Mas não é só a beleza exterior que fielmente encanta. Ao ver seus olhos, eu senti algo diferente. Um olhar tão apaixonante quanto o do primeiro amor. Ah, se eu tivesse dado mais valor ao primeiro amor, quem sabe nem precisaria estar aqui, olhando... Não. Esquece. Apaga o que eu pensei. Claro que estaria aqui, olhando essa bela mulher. Dando valor ou não ao primeiro amor. Sim. Eu estaria aqui. Porque, além de ser demasiadamente perfeita, ela tem um olhar impactante, fundo, expressivo. Melhor dizendo: apaixonante. Algo que me tele transporta para o seu interior. E que interior! Apesar de não conhecê-lo, vejo que ele transmite com dignidade o que ela é: um ser meigo, fofo, carinhoso e amoroso. Tão quanto ou mais do que a multiplicação da soma dos elogios de todas as partes do seu corpo. E digo mais, elogios vindos de mim.
Pois é. Que mulher. Pena não tê-la visto. Nem conhecido. Nem mesmo presenciado sua existência. Ah se ela não fosse apenas uma mera miragem amorosa, se assim posso dizer. Fruto do mundo existente entre o meu consciente e o inconsciente. Um momento de esquizofrenia própria, algo que os loucos não podem desfrutar.
Contudo espero um dia encontrar uma dessas, a mulher dos sonhos. Quem sabe ela vaga por aí. Até mesmo ela pode estar andando ao meu redor. Vagando em círculos e círculos sem fim. Não sei. Mas com certeza irei saber quando ela, delicadamente, colocar a mão na boca e eu, instantaneamente, ficar sem ar.
Ai sim. Quem sabe. A esquizofrenia vire realidade.