segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Arte e Vida.
Ela tinha 14 anos e muito mais do que cachos louros na cabeça. Enquanto os seus amigos brincavam de boneca ou empinar pipa nas tardes de sábado, ela já conversava sobre a novela das oito. Entendia cada personagem, as futilidades e complexidades da trama e o que tudo aquilo representava para a cultura pop brasileira. Ouvia a poesia de Chico, tentava entender os amores de Vinícius e se deslumbrava com a loucura de Tom. Mas nunca mudou a rádio quando o axé dava as suas caras e mostrava o quanto era bom dançar. Puxou ao pai, que amava arte, cinema e fotogragia. Nas manhãs dos domingos, trocava o sol e a praia por um passeio ao museu da cidade. Ficava pensativa com a arte de Mário Silésio e se encantava com as montanhas escarpadas multicoloridas de Claudio Fonseca. Passava a tarde lendo livros e escutando música, mas sempre com o computador ao lado esperando uma boa conversa com os amigos. Conhecia tudo sobre redes sociais, tinha conta no Twitter, escrevia num Blog e nunca se envolveu no Orkut, apenas no Facebook. Era apaixonada pelo o que fazia e tinha uma queda pelo o que nunca fez. Um beijo, um carinho, um amor. Nada do que lia nos livros ou escutava nas músicas fazia parte da sua vida. Nem sequer aquela troca de olhares entre dois desconhecidos que faz qualquer um ficar com friozinho na barriga e uma dúvida estagnada no cérebro. Foi ai que ela percebeu o quanto a sua vida deveria ter mais ação e menos ficção. Continuou lendo, apreciando as artes, indo a teatros, mas agora compartilhava tudo isso com o Pedro, que também a levava a jogos do estadual, fins de tarde na praia, beijos na frente da TV e viagens tão inesquecíveis que ela finalmente entendeu que, para se fazer uma obra de arte, é necessário viver.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
notícia
Era uma sexta-feria, mais ou menos 9 horas da noite, quando ele olhou para o céu à procura de uma resposta. Por azar, tinha acabado de chover e as estrelas saíram de cena, dando lugar às nuvens acizentadas. Se fosse um filme, com certeza a trilha sonora teria apenas um violão básico, no máximo um piano acompanhado de uma voz grave. Nenhum corte brusco, nem movimentos de câmera. Apenas o close no rosto do personagem principal da história, que tinha acabado de perder o seu grande amor num acidente grave horas antes. Mas como a vida não é nenhum filme, a única trilha que ele escutava era a dos carros passando só para lembrar ainda mais da sua dor. Pegou um cigarro, Free, porque estava querendo parar de fumar, e colocou na sua boca seca. Nessa hora, ele já não comia, só andava com o litro de álcool na sua mão esquerda esperando um sinal. Algo que o fizesse voltar atrás e dizer o quanto a amava. Entre um gole e outro, uma ideia controlava a sua mente de tal forma que ele não conseguia pensar em mais nada. “A culpa foi minha.” Uma briga antes do acidente tinha acontecido. Mais uma vez, ele esqueceu de baixar a tampa do vazo sanitário. Algo que ela odiava de todo o coração e ser, fazendo questão de reclamar sempre que o pegava no flagra. Mas dessa vez, ele não aguentou e discutiu sem tapas, mas com muita violência. Ninguém sabe se tinha sido o estresse do trabalho ou simplesmente o cansaço de ouvir a mesma coisa durante os 5 anos de relacionamento. Ela pegou a chave do carro e saiu chorando em desespero. Logo depois, veio a triste notícia. Ele desceu, comprou um cigarro e uma garrafa de uísque. Até parar num certo ponto e olhar para o céu. Bebeu, fumou, pensou. Entrou no seu carro e quis sair dirigindo com o ponteiro passando dos 180. Mas resolveu abrir o porta-luvas. O sinal que ele tanto esperava apareceu, uma foto com o filho do casal. Desligou o carro, jogou o cigarro e a bebida fora. Subiu e deitou na cama com o seu filho, abraçando-o da mesma forma que fazia todos os dias antes de dormir com a sua mulher.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Torcida.
É da torcida que vem a nossa força. É daqui que eles cantam com o corpo e gritam com a alma. Milhares e milhares numa só batida, guiados por uma única paixão. É da torcida que vem o peso da camisa, o respeito pelo brasão. Onde a nossa bandeira é erguida com orgulho e garra, de uma nação que só vive por uma única coisa: o gol. É nesses loucos e fanáticos que está a nossa grande reviravolta. Ouvir os seus gritos é o mesmo que ser guiado para a glória. O coração fala mais forte e o espírito domina todo o resto do corpo. É dessa torcida, a mais apaixonada do Brasil, que está a esperança de um dia ser o melhor. Vamos Santa Cruz.
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