terça-feira, 9 de junho de 2009

Só pra postar.

Atormentado com a imagem tão peculiar, ele se perdia no seu próprio intelecto, entre um certo subconsciente, que predominava na situação, e o consciente, declaradamente intrometido. Não aguentava mais olhá-la, não por ter traços precisos e equilibrados, desenhados com total perfeição, nem por apresentar cores que se encaixavam magicamente, como se ensaiassem seus passos desde crianças, mas por algo misteriosamente incógnito; que nem mesmo ele ousara saber.
Petrificado numa posição inadequada, que denunciava sua angústia pela tal imagem, o homem pensava baixo, analisando o suposto autor daquela obra-de-arte.
- Será que é de Vermeer? Reforço nos detalhes, símbolos naturais. Mas...
Algo estava errado. O quadro tinha uma característica própria, tão gritante quanto a incapacidade de conseguir encontrá-la. Mas sabia-se que ela estava lá. A dúvida do devido autor reinava sobre sua mente, até que uma bela moça, com um vestido longo, de corte especial que mostrava suas lindas pernas, tão hidratadas quanto o seu rosto, que, além de ser belo, passava uma delicadeza divina, olha para a imagem e instantaneamente diz:
- Lindo. Só poderia ser Chen Bo.
Nesse exato e único momento, só veio uma palavra na boca do homem: humilhação. Ainda bem que ele estava no processo de “pensar baixo”, não chamando a atenção da linda e charmosa mulher. Logo, ele percebeu algo até então inédito, que o incomodou por completo; realmente não entendia nada de arte, principalmente de pintura. Após o impacto da tal descoberta, ele começou a olhar para a imagem de outra forma, perdeu seu posto de soberania, quebrando com toda a angústia, e desceu para algo mais desfrutador, onde ele apreciava com total prazer a tal imagem, sem questioná-la, apenas olhava e olhava, sem nenhuma intenção a mais.

E de alguém que não conseguia ver a beleza exemplar da imagem, porque achava estar num posto superior e impróprio para ser encantado pela mesma, ele descobriu que é mais satisfatório ser humilde e conseguir apreciar o que há de melhor.