quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E.

A saudade chegou. E todo mundo sabe que quando ela chega é porque algo está acontecendo. Pode ser a falta de comodidade, mas acho que não. Ou a falta da convivência, mas, apesar de ter grande papel nessa história, também acho que não. Ou pode ser algo a mais. É. Mais provável que seja isso.
Porque saudade é uma palavra muito forte, tão forte que nenhuma palavra da Língua Inglesa tem a capacidade de traduzi-la, nem mesmo da Língua Chinesa ou da Língua Alemã ou da Língua Castelhana. E se eu continuar assim, provavelmente irei falar metade das Línguas existentes no planeta. Ou no universo, para aqueles que acreditam em Aliens.
É. Brasileiro sente saudade. Ele realmente sabe amar. Ou ser amigo. Ou os dois. Que dúvida! Tantos ous e ous, para, na hora certa, ficar entre eles. Um ou pra cá, um ou pra lá e a gente acaba esquecendo do e. Pra quem não sabe ou pra quem sabe e esqueceu, o ou é uma conjunção alternativa, ou seja, entre as alternativas dadas, ele vai deixar apenas uma, excluindo todas as outras. Já o e, seguindo o mesmo contexto, é uma conjunção que liga as alternativas dadas, conectando-as e aproximando-as. Quem sabe um dia, quando houver menos ous, a gente use mais o e.
Mas...e a saudade? Já estava sentindo falta dela. Tão consciente, certa, segura e convicta. Simplesmente explicadora. Quer ver quando você acha alguém especial? É só sumir por um tempo e a saudade vai aparecer. Sem ous, sem dúvidas, sem descartes. Apenas o e. O mais. A ligação.
E você se liga e se toca, até demais, que aquela pessoa agora te faz falta. Assim como o teu café-da-manhã ou a tua roupa íntima ou o teu livro. Aliás. Retiro o que eu disse. Aquela pessoa agora te faz falta. Assim como o teu café-da-manhã e a tua roupa íntima e o teu livro.
Que alívio. O dia do menos ous chegou. Eis que prevalece o e. Obrigado saudade. Tu fez do meu ou virar o e. E do e, a convicção e a certeza de que a saudade só bate quando a gente sabe amar. E ser amigo. E os dois.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

À inspiração.

E surge uma vontade brusca no meu interior. Algo tão acentuado que transmite uma sensação de liberdade única e nunca testemunhada, quebrando com qualquer cautela que pudera impedir uma explosão. Sim, isso mesmo. De tanto inspirar e inspirar, você fica cheio. E ao encher, você transborda. E ao transbordar, você rega as plantas que estão ao seu redor. Transbordar. Essa é a palavra certa para a inspiração. Porque mesmo com esse sentimento que manifesta uma vontade endeusada de se criar, se não houvesse uma água que saísse de nós, a transpiração, essa vontade iluminada, com o passar do tempo, iria se apagar. Porque a inspiração é apenas 1% da materialização do grandioso, os outros 99% pertencem à transpiração. Ao suor. À luta. Ao buscar. À tentativa. Ao crer. E das tentativas, nascem os erros. Dos erros, a experiência. Da experiência, a criação.
Se você reparar, todas as pessoas que, não transpirando, desistiram da inspiração, foram categorizadas como meros esforçados. Nada contra os esforçados, até porque eu sou um deles. Mas aqueles que derramaram águas de sangue para atingir, a partir da inspiração, o sonho tão desejado, são categorizados como gênios, apesar de terem errado, muitas vezes, mais do que os simples esforçados, algo que, inicialmente, já foram. Sou esforçado, mas nunca disse que iria desistir. E é aí onde a genialidade se encontra, na perseverança. Pois ela é quem vai combater e, posteriormente, destruir todos os insultos que causaram dúvidas para a sua indiscutível inspiração.
Até porque, como já dizia o grande jornalista David Brinkley, ex-repórter das emissoras americanas NBC e ABC, “Um homem bem-sucedido é aquele capaz de construir uma base firme com os tijolos que os outros atiraram nele.”. Homem de vida notável.
Falando em jornalista. São várias as inspirações. Para uns, a música inspirou a sua criação. Para outros, a criação inspirou a música. E assim vai. Igual à nascente do Rio São Francisco, segue um caminho longo. Tão longo que até o racismo virou inspiração para o fabuloso, e inesquecível, Martin Luther King, um dos maiores líderes ativista já presenciado pela humanidade. Lutou. E morreu. Pelos direitos civis. Uma inspiração que, literalmente, o fez transpirar até a morte.
Sim, mas voltando ao “falando em jornalista” - desculpem a mudança imediatista - a inspiração para que eu me tornasse um esforçado em busca da genialidade, foi uma jornalista. Uma pessoa que, assim como seus textos, encanta. Primeiro, a tal jornalista e, espero, aliás, creio, futuro gênio da comunicação social, mostrou um texto encantador, que faz você analisar todos os aspectos da vida e querer, de todo o coração, aquilo que foi lido. Não algo igual. Algo melhor. Maior. Porque o igual àquilo iria destruir a beleza do que aquilo é. Até porque essas coisas são experiências próprias e, por isso, únicas. Mas, não posso esquecer. Definitivamente não posso esquecer. Da publicitária que me apresentou a jornalista. Pois é. Um ser especial. Tão único quanto o que eu li e, ao ler, ansiei em ter. Uma amiga fofa, de um sorriso doce, radiante e, repetindo, fofo. – Ela é um ser tão fofo que isso merece ser explicitamente repetido diversas e diversas vezes. Fofa. Fofa. Fofa. Fofa. – E com esse cabelo novo tão charmoso e sedutor quanto a atriz Scarlett Johansson, que, não por acaso, ela é fã, irá conquistar corações. Mesmo os que estão distantes.
Elas, uma união comunicativa tão especial quanto uma campanha criada por Washington Olivetto, Nizan Guanaes, Roberto Duailibi, Francesc Petit, José Zaragoza, Zeca Martins e outros que, nesse exato momento, não me vem à memória. – Engraçado, a grande parte dos nomes citados é de redatores. -. E pense numa campanha que, mesmo sem conhecer como foi criada, é perfeita.


E pra elas, eu dedico essa minha traninspiração. E digo, suei.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O simples.

Por que tanta complexidade? Dar voltas e voltas em busca de coisas grandiosas e não saber aproveitar o simples? Nunca entendi essa atitude humana. Correr atrás de algo grande, imenso, absurdamente demasiado e, ao fazê-lo, esquecer daquele simples abraço que, por ser tão esplêndido, durou mais do que o necessário; daquele simples sorriso que, por ser tão contagioso, se prolongou e transformou-se numa bela gargalhada. Daquele simples amor, tão simples que se tornou complexo.
Parece que fomos feitos com um único objetivo: atingir o ápice do status social. Que infelicidade humana. Pensamento imaturo e egocêntrico. Até parece que chegar ao topo vai trazer felicidades para alguém que no pouco não soube ser feliz. E nesse processo anti-amor, anti-relacionamento, anti-vida, desviamos nossos olhares do que deveria ser o centro das atenções: o simples.
Uma conversa que converte horas em meros segundos e, quando você menos espera, já passou da hora de ir dormir. Aliás. De acordar. Um beijo que pára o tempo, pára a tarde, pára tudo. Menos o coração. Um carinho que enfraquece os ossos, que baixa as pálpebras, que nos faz dormir o melhor dos sonos. Um segurar de mãos, tão esquecido pela sociedade moderna que, de se achar moderna, deixou passar um ato extraordinário onde duas mínimas partes de dois corpos diferentes têm a força de conectar a alma. Tudo simples. Meras ações, porém belas. Isso sim é que o homem deveria buscar, correr. Voar. Agarrar com todas as forças e nunca mais soltar.
Como se o homem não soubesse que mesmo se chegar ao mais alto ponto da maior montanha e não tiver alguém ao lado para compartilhar esse momento, de nada adiantaria essa infeliz conquista. Porque...do que vale a felicidade se ela não puder ser repartida?

- Simplesmente nada.