A saudade chegou. E todo mundo sabe que quando ela chega é porque algo está acontecendo. Pode ser a falta de comodidade, mas acho que não. Ou a falta da convivência, mas, apesar de ter grande papel nessa história, também acho que não. Ou pode ser algo a mais. É. Mais provável que seja isso.
Porque saudade é uma palavra muito forte, tão forte que nenhuma palavra da Língua Inglesa tem a capacidade de traduzi-la, nem mesmo da Língua Chinesa ou da Língua Alemã ou da Língua Castelhana. E se eu continuar assim, provavelmente irei falar metade das Línguas existentes no planeta. Ou no universo, para aqueles que acreditam em Aliens.
É. Brasileiro sente saudade. Ele realmente sabe amar. Ou ser amigo. Ou os dois. Que dúvida! Tantos ous e ous, para, na hora certa, ficar entre eles. Um ou pra cá, um ou pra lá e a gente acaba esquecendo do e. Pra quem não sabe ou pra quem sabe e esqueceu, o ou é uma conjunção alternativa, ou seja, entre as alternativas dadas, ele vai deixar apenas uma, excluindo todas as outras. Já o e, seguindo o mesmo contexto, é uma conjunção que liga as alternativas dadas, conectando-as e aproximando-as. Quem sabe um dia, quando houver menos ous, a gente use mais o e.
Mas...e a saudade? Já estava sentindo falta dela. Tão consciente, certa, segura e convicta. Simplesmente explicadora. Quer ver quando você acha alguém especial? É só sumir por um tempo e a saudade vai aparecer. Sem ous, sem dúvidas, sem descartes. Apenas o e. O mais. A ligação.
E você se liga e se toca, até demais, que aquela pessoa agora te faz falta. Assim como o teu café-da-manhã ou a tua roupa íntima ou o teu livro. Aliás. Retiro o que eu disse. Aquela pessoa agora te faz falta. Assim como o teu café-da-manhã e a tua roupa íntima e o teu livro.
Que alívio. O dia do menos ous chegou. Eis que prevalece o e. Obrigado saudade. Tu fez do meu ou virar o e. E do e, a convicção e a certeza de que a saudade só bate quando a gente sabe amar. E ser amigo. E os dois.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
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"a convicção e a certeza de que a saudade só bate quando a gente sabe amar"
ResponderExcluirGanhou uma leitora fiel agora.
Beeeijos
xande, esse é o poema que te falei ter lembrado ao ler seu texto...
ResponderExcluirquando falamos em saudade, geralmente, nos referimos a uma falta... e nos remetemos ao 'ou' - ou estamos com a pessoa, ou sentimos saudade...
mas vc alcançou o que Drummond expressou com esse poema, e talvez não tenha nem se lembrado dele... a "ausência assimilada" nos tira dos 'ous', nos remete aos 'E.'
AUSÊNCIA (Carlos Drummond)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim
É muita maconha
ResponderExcluirÉ como fala D2 "Saudade! Saudade! Hoje eu posso dizer o que é dor de verdade!"
ResponderExcluirTe amo! Tô morrendo de ausência de tu!
Flavia