A tinta preta entrou em ação. De fininho, ganhou seu espaço, um por um. O amarelo, o azul e o verde nem desconfiaram da infiltração do preto. O vermelho até que desconfiou, mas foi imprudente ao tentar alertar as outras cores.
Aos poucos o colorido ia sumindo, dando espaço ao preto. Não se via mais o amarelo, tão belo e comovente, presente num dos momentos mais perfeitos: o pôr-do-sol; ou no cabelo louro daquela mulher que chama atenção com os saltos altos, as roupas de moda e o estilo simpático de ser. O azul do mar, que preenchia quase toda a imagem com sua exuberância, foi-se; assim como as calças jeans que cobriam os corpos daquele casal, sentado na beira da praia, curtindo o momento. O verde das paisagens, da natureza, dos coqueirais, do contato direto com o mundo, desapareceu. O vermelho foi o que mais resistiu, não por ter suspeitado do preto, mas por representar o que há de mais importante: o amor; visto no pôr-do-sol, na mulher loura e no belo casal que olhava o mar.
Tudo ficou preto. Até que surgiu o branco, que, ao se juntar com o preto, deu vida ao cinza. No começo, tudo ficou sem nexo, sem efeito, sem emoção; mas depois, quando o cinza deu contraste à imagem, quando o branco limitou os espaços e quando o preto deixou de ser egoísta, a imagem tornou-se algo mais chocante, divino e emotivo; direcionando-se a um patamar superior. O pôr-do-sol ficou mais perfeito do que nunca; a loura, que deixou de ser loura, chamou ainda mais atenção; o mar tornou-se mais amplo e espaçoso, atribuindo mais vida a tal imagem; a natureza gritou, afirmando estar lá, persistindo em comparecer, mesmo quando a maltratamos. E o amor ficou ainda mais apaixonante e sentimental, contrariando todas as dúvidas outrora vividas.
Tudo era preto e branco, mas tudo parecia estar mais colorido do que nunca. Não pelas cores em si, mas pela emoção que a imagem passava. Antes, o colorido estava parado, acomodado em fazer apenas sua parte; estava sem vida, sem graça. Agora, mesmo ausente, ele gritava e pulava. Era como se ele vibrasse a beleza da nova imagem, que deixara de ser colorida, para torna-se preta e branca.
E viu que certas vezes é preciso perder as cores, dar-se por algo mais humilde, porém mais cativante. Perdeu-se as cores chamativas, fortes, quentes; mas se ganhou emoção, sentimento, vida. Pois o foco deixou de ser o colorido e passou a ser o detalhe, que, se você reparar, é o grande responsável pela perfeição da imagem.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Do ninguém ao alguém.
Quem dera. Ele nunca conseguiu ser alguém na vida, quanto mais agora, nesse momento delicado e incerto. Nas oportunidades, não assegurava seu lugar no pódio para garantir um espaço, mesmo que seja medíocre, como o terceiro lugar. Nas desvantagens, que sempre estiveram presentes no seu caminhar, ele nunca se sobressaiu, nem quis, nem buscou. Sempre fora um ser ordinário e trivial. Tão insignificante quanto seus livros não lidos guardados eternamente nas estantes do seu quarto, que usara apenas para dormir, quando não tinha insônia.
Certamente, ser alguém na vida não é um fardo a ser adquirido por ele. Mas, como a vida é cheia de acontecimentos divinos que surpreendem a cada movimento de um ponteiro de relógio, ele descobriu um alguém e, inesperadamente, se apaixonou. Só isso bastou. Nada além seria necessário para mudar a atual posição de retrocedência, grudada bruscamente no seu ser, um retrocesso fatal que causava uma inquietação aniquiladora, algo como: não sou ninguém.
Bastou isso. Saber que alguém precisava dele, que um olhar nos olhos pode durar uma eternidade, mesmo que ela seja meros segundos. Ser importante e dar importância à pessoa. Tocar. Acariciar. Se dar. Bastou. Nada mais. De um segundo para o outro, ele deixava seu posto de ninguém, para se consagrar como um alguém. Uma utopia que na verdade era lúdica. Utopia, por ser o ideal que o levava à condição de existência; lúdica, por ser tão insegura que, com uma fragilidade única, pode tornar-se uma brincadeira amorosa, assim como ser pego num pega-pega da vida.
Mas ele sabia que valia apena arriscar. Essa sensação não era apenas uma reação química dentro do seu cérebro, era algo a mais. Mesmo com a eterna dúvida do ter mesmo não tendo, ele sabia que ela, ao se aproximar tão intimamente, modificou seu estado de um ser inexistente para um ser apaixonado.
Quem dera. Por causa de um outro qualquer, ele conseguiu ser alguém.
Certamente, ser alguém na vida não é um fardo a ser adquirido por ele. Mas, como a vida é cheia de acontecimentos divinos que surpreendem a cada movimento de um ponteiro de relógio, ele descobriu um alguém e, inesperadamente, se apaixonou. Só isso bastou. Nada além seria necessário para mudar a atual posição de retrocedência, grudada bruscamente no seu ser, um retrocesso fatal que causava uma inquietação aniquiladora, algo como: não sou ninguém.
Bastou isso. Saber que alguém precisava dele, que um olhar nos olhos pode durar uma eternidade, mesmo que ela seja meros segundos. Ser importante e dar importância à pessoa. Tocar. Acariciar. Se dar. Bastou. Nada mais. De um segundo para o outro, ele deixava seu posto de ninguém, para se consagrar como um alguém. Uma utopia que na verdade era lúdica. Utopia, por ser o ideal que o levava à condição de existência; lúdica, por ser tão insegura que, com uma fragilidade única, pode tornar-se uma brincadeira amorosa, assim como ser pego num pega-pega da vida.
Mas ele sabia que valia apena arriscar. Essa sensação não era apenas uma reação química dentro do seu cérebro, era algo a mais. Mesmo com a eterna dúvida do ter mesmo não tendo, ele sabia que ela, ao se aproximar tão intimamente, modificou seu estado de um ser inexistente para um ser apaixonado.
Quem dera. Por causa de um outro qualquer, ele conseguiu ser alguém.
sábado, 4 de abril de 2009
Pão de todos os dias.
Ela fecha os olhos, deixando apenas uma brechinha do globo ocular à mostra. E no mesmo instante, puxa levemente as bochechas pra dentro da boca, fazendo um biquinho, igual àqueles de uma criança encantadora pedindo um beijinho. É lindo. Tudo tão simples e repetitivo, mas tão charmoso e meigo. Sabe quando alguém faz algo tão surpreendente e belo que você quer dar um aperto naquela pessoa? É exatamente isso que ocorre quando esse ato sublime acontece.
Já a outra tem um jeito extrovertido de ser, citando coisas inusitadas e demasiadamente impróprias na sala de aula, mas tudo para expressar o que sente. Engraçado são as caras e bocas que faz para se expressar. Se gosta, ama; se não gosta, odeia; e faz de tudo para demonstrar isso. Coloca a mão no fogo por você e o defende com todas as forças.
À elas, meu pão de todos os dias, mando beijos, abraços, carinho, tudo o que tiver de melhor em mim. Pois a vida é algo melhor com elas. Um triângulo amoroso onde apenas a amizade reina, nada mais. Eu amo aqui, ela ama ali e a outra ama lá; e tudo se completa, completando todos nós. Sempre na medida do possível e do impossível.
Quem disse que não existe amizade entre homem e mulher realmente não soube amar.
Já a outra tem um jeito extrovertido de ser, citando coisas inusitadas e demasiadamente impróprias na sala de aula, mas tudo para expressar o que sente. Engraçado são as caras e bocas que faz para se expressar. Se gosta, ama; se não gosta, odeia; e faz de tudo para demonstrar isso. Coloca a mão no fogo por você e o defende com todas as forças.
À elas, meu pão de todos os dias, mando beijos, abraços, carinho, tudo o que tiver de melhor em mim. Pois a vida é algo melhor com elas. Um triângulo amoroso onde apenas a amizade reina, nada mais. Eu amo aqui, ela ama ali e a outra ama lá; e tudo se completa, completando todos nós. Sempre na medida do possível e do impossível.
Quem disse que não existe amizade entre homem e mulher realmente não soube amar.
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