segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Este filme de novo?

É sempre a mesma fórmula. A mocinha está apaixonada pelo mocinho, que é quase perfeito, se não fosse os erros utópicos que só as amigas da mocinha veem, e até comentam, mas ela nunca consegue enxergá-los. Aliás, sabe que os erros existem, mas engana a si própria preferindo não vê-los. Até que aquele divino dia chega, acompanhado do encontro com o malvado, é claro. No começo, ela o odeia. Ele não passa de um ser falastrão, imoral, indecente, orgulhoso e, acima de tudo, sexy. Mas o tempo passa e traz um acontecimento que acarreta numa união drástica dos dois. Carro quebrado, contratação profissional, parceria musical e, até mesmo, ou melhor, na maioria das vezes, problemas supérfluos do interior feminino já foram os responsáveis por tal união. Eles são obrigados a passar um bom tempo juntos. Ela odeia isso, ele ama o fato dela odiar isso. E eis que, num certo momento, ao conhecer a sua linda sobrinha de cabelos lisos e sorriso meigo ou os seus melhores amigos que só falam bem dele e da tragédia que marcou a sua vida, ela para por um instante e olha mais atentamente para o até então odiado, incompetente e, não vamos esquecer, sexy ser humano. É, ele sempre está impecável nessa hora do filme. E, depois de um sorriso aqui e um abraço acolá, não é que ela encontra algo bom, amável, doce e deliciosamente irresistível no malvado? Milagrosamente se dá de conta que está completamente apaixonada pelo amor da sua vida. Ela se entrega, eles se beijam e a noite mais incrível acontece. Tudo está perfeito. Mas o mocinho do início do filme resolve aparecer. Ééééé, aquele mesmo que ela tanto amava. E agora? O que fazer? Ela pensa. O mocinho aparece com um pedido para deixar o relacionamento dos dois ainda mais sério. - muitas vezes é aquela velha imagem dos joelhos no chão, uma mão indo ao bolso e um impecável cubículo que guarda o tão preciso anel -. Ela fica petrificada. Olha para o ex malvado, olha para o mocinho e num ato desesperador – e burro – ela escolhe o último. Uma semana se passa. Mais três dias. Até que o rejeitado vai atrás dela, a encontra e conta tudo o que sente. O escolhido, corno e único personagem que ninguém tem pena, pergunta o que está acontecendo e quem é aquele intruso. Ela resolve se abrir e contar tudo. A desculpa é a mesma: não é você, sou eu. Às vezes o cara entende e às vezes o cara entende e ainda se vinga do desconhecido com um belo murro no meio do nariz. O nariz sangra, mas não quebra. A mocinha se abaixa desesperadamente e olha nos olhos do seu atual e grande amor. Ele sorrir. Ela sorrir. Os dois se beijam. E finalmente o malvado vira mocinho.
Como eu disse: a fórmula é sempre a mesma. O que muda é a maneira de falar. Engraçado é que sempre dá certo. A plateia feminina chora e a masculina esconde o choro e diz que o filme não foi nada demais. No final das contas, os dois aprovam e perguntam se aquilo pode ser real – em outras palavras, se pode acontecer com eles -.
O problema é que a mocinha da vida real é mais iludida do que a da ficção, sempre espera o melhor do mocinho, mas ele, além de ser bem menos perfeito, agrada qualquer uma que lhe estender a mão. Além disso, e para piorar a situação, o bendito do malvado só vive em extinção.
Vai ver que esse é o motivo do sucesso dessa fórmula. Tentar abrir os olhos de quem vive assistindo a mesma história e se quer aprende algo com ela. Acho que os roteiristas, diretores, produtores – enfim, seres pensantes – lançam esses filmes com apenas uma finalidade: mudar nossas cabecinhas.

Não sei se vão conseguir. Mas que vão lucrar... Isso sim é fato.

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