Ah, os bons tempos. Onde telespectadores podiam assistir Vinícius e Tom cantando poemas emocionantes na, até então, respeitada Rede Globo. “...a sorrir, a cantar, a pedir, a beleza de amar.” Algo emocionantemente brilhante.
Bons tempos. Onde crianças brincavam na rua e aprendiam com o natural o que é ser adulto. Bola de gude, pião, pipa, pega ladrão. Onde vocês estão? Provavelmente mortos. Ou com uma doença degenerativa. Pena. Que pena mesmo. Vocês vão fazer falta pros meus filhos.
Bons tempos. Onde amar era a fonte de energia da vida, o ápice da busca interior, o centro do ser humano. Hoje, o amor se esconde, aparece pra poucas pessoas e ainda assim várias dessas teimam em não entendê-lo, deixando-o desfigurado. Onde o teatro, a leitura, a imaginação eram prazerosos. Hoje, o prazer virou obrigação. Onde havia aquela velha praia com o pôr-do-sol e os amigos. Risos e mais risos. O luau e o violão. Definitivamente mortos. Pelo menos, na minha humilde terra. Pena. Que pena mesmo.
E assim vou, revivendo a partir dos sonhos algo que eu queria fazer, mas não posso: ter os bons tempos. Absurdo. Quem dera meus netos possam ter isso, mas duvido muito. Na melhor da hipótese, eles ainda vão ouvir falar, pelo menos uma vez, quem foi Vinícius de Moraes. E só saberão o nome, nada mais do que isso. Na melhor das hipóteses.
Que pena ser a última geração da bolinha de gude, do futebol no canal, do polícia contra ladrão – sem armas de verdade -. É. Internet e TV. Vocês conseguiram. Realmente transformaram os bons tempos em tempos atuais. E viciaram os humanos. Nós. Eu. Que pena. Que pena mesmo. Espero que seja um vício benigno. Espero. Porque se não for: bem-vinda extinção.
quinta-feira, 26 de março de 2009
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