É sempre a mesma fórmula. A mocinha está apaixonada pelo mocinho, que é quase perfeito, se não fosse os erros utópicos que só as amigas da mocinha veem, e até comentam, mas ela nunca consegue enxergá-los. Aliás, sabe que os erros existem, mas engana a si própria preferindo não vê-los. Até que aquele divino dia chega, acompanhado do encontro com o malvado, é claro. No começo, ela o odeia. Ele não passa de um ser falastrão, imoral, indecente, orgulhoso e, acima de tudo, sexy. Mas o tempo passa e traz um acontecimento que acarreta numa união drástica dos dois. Carro quebrado, contratação profissional, parceria musical e, até mesmo, ou melhor, na maioria das vezes, problemas supérfluos do interior feminino já foram os responsáveis por tal união. Eles são obrigados a passar um bom tempo juntos. Ela odeia isso, ele ama o fato dela odiar isso. E eis que, num certo momento, ao conhecer a sua linda sobrinha de cabelos lisos e sorriso meigo ou os seus melhores amigos que só falam bem dele e da tragédia que marcou a sua vida, ela para por um instante e olha mais atentamente para o até então odiado, incompetente e, não vamos esquecer, sexy ser humano. É, ele sempre está impecável nessa hora do filme. E, depois de um sorriso aqui e um abraço acolá, não é que ela encontra algo bom, amável, doce e deliciosamente irresistível no malvado? Milagrosamente se dá de conta que está completamente apaixonada pelo amor da sua vida. Ela se entrega, eles se beijam e a noite mais incrível acontece. Tudo está perfeito. Mas o mocinho do início do filme resolve aparecer. Ééééé, aquele mesmo que ela tanto amava. E agora? O que fazer? Ela pensa. O mocinho aparece com um pedido para deixar o relacionamento dos dois ainda mais sério. - muitas vezes é aquela velha imagem dos joelhos no chão, uma mão indo ao bolso e um impecável cubículo que guarda o tão preciso anel -. Ela fica petrificada. Olha para o ex malvado, olha para o mocinho e num ato desesperador – e burro – ela escolhe o último. Uma semana se passa. Mais três dias. Até que o rejeitado vai atrás dela, a encontra e conta tudo o que sente. O escolhido, corno e único personagem que ninguém tem pena, pergunta o que está acontecendo e quem é aquele intruso. Ela resolve se abrir e contar tudo. A desculpa é a mesma: não é você, sou eu. Às vezes o cara entende e às vezes o cara entende e ainda se vinga do desconhecido com um belo murro no meio do nariz. O nariz sangra, mas não quebra. A mocinha se abaixa desesperadamente e olha nos olhos do seu atual e grande amor. Ele sorrir. Ela sorrir. Os dois se beijam. E finalmente o malvado vira mocinho.
Como eu disse: a fórmula é sempre a mesma. O que muda é a maneira de falar. Engraçado é que sempre dá certo. A plateia feminina chora e a masculina esconde o choro e diz que o filme não foi nada demais. No final das contas, os dois aprovam e perguntam se aquilo pode ser real – em outras palavras, se pode acontecer com eles -.
O problema é que a mocinha da vida real é mais iludida do que a da ficção, sempre espera o melhor do mocinho, mas ele, além de ser bem menos perfeito, agrada qualquer uma que lhe estender a mão. Além disso, e para piorar a situação, o bendito do malvado só vive em extinção.
Vai ver que esse é o motivo do sucesso dessa fórmula. Tentar abrir os olhos de quem vive assistindo a mesma história e se quer aprende algo com ela. Acho que os roteiristas, diretores, produtores – enfim, seres pensantes – lançam esses filmes com apenas uma finalidade: mudar nossas cabecinhas.
Não sei se vão conseguir. Mas que vão lucrar... Isso sim é fato.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Num certo lugar.
Acabei de me encontrar, apesar de ainda continuar perdido. De um lado, escuridão; do outro, o desconhecido. Olho para frente e para baixo, mas não consigo enxergar absolutamente nada. Apenas um ponto branco escondido no dedinho minúsculo do meu pé direito. Tão pequeno que se acomoda perfeitamente entre o espaço insignificante do meu entre dedos. Mas, mesmo assim, ainda consigo ver o ponto tentando brilhar, tentando chamar minha atenção. Acho que, para completar seu objetivo, ele precisa se esforçar mais. Além dele, não vejo mais nada. Só sinto. Uma dor que na mesma hora é alegria. Uma alegria que na mesma hora é dor. Fico até confuso em tentar distinguir o primeiro do segundo, mas sei que eles são bastante diferentes.
Outro sentimento estagnado é a saudade. Saudade de abrir os olhos, apesar de já estarem abertos. Sinto falta de saber por onde ando e se esse caminho é o certo. Acho que foi esse o motivo que me fez estar onde estou. Se você não presta atenção quando faz pela primeira vez, a segunda vai acontecer muito mais fácil. Por isso que assassino é assassino. A primeira é quase impossível, a segunda é difícil, a terceira já começa a ser apenas o simples apertar o gatilho.
E quando você menos espera, a escuridão obscurece o seu ambiente. E você se pergunta: onde estou? Para onde vou? O que faço? Ai vai olhar para um lado e vai ver escuridão. Vai olhar pro outro e vai ver o desconhecido.
É. Acho melhor me arriscar pelo desconhecido, quem sabe eu tenho a sorte de encontrar uma vela, alguns fósforos e poder acender uma luz que ilumine novamente o meu caminhar.
Outro sentimento estagnado é a saudade. Saudade de abrir os olhos, apesar de já estarem abertos. Sinto falta de saber por onde ando e se esse caminho é o certo. Acho que foi esse o motivo que me fez estar onde estou. Se você não presta atenção quando faz pela primeira vez, a segunda vai acontecer muito mais fácil. Por isso que assassino é assassino. A primeira é quase impossível, a segunda é difícil, a terceira já começa a ser apenas o simples apertar o gatilho.
E quando você menos espera, a escuridão obscurece o seu ambiente. E você se pergunta: onde estou? Para onde vou? O que faço? Ai vai olhar para um lado e vai ver escuridão. Vai olhar pro outro e vai ver o desconhecido.
É. Acho melhor me arriscar pelo desconhecido, quem sabe eu tenho a sorte de encontrar uma vela, alguns fósforos e poder acender uma luz que ilumine novamente o meu caminhar.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ela mudou.
O tempo passa, passa o tempo e, mesmo assim, algumas pessoas ainda continuam as mesmas. Mesmos pensamentos, mesmas ideologias, mesmos amigos, mesma vida. Não crescem, não vivem, não mudam. Não que elas sejam piores por causa disso, nem que elas sejam melhores por causa disso, elas apenas permaneceram as mesmas. Sem acrescentar nem subtrair nada na vida. Pena, não foram esponjas para absorverem o que a vida tem de melhor: ela mesma. Apenas continuaram, sem sal, sem gosto, sem nada. Num vazio contínuo de um cotidiano medíocre. A segunda é igual à terça; a terça, igual à quarta e assim sucessivamente. Na melhor das hipóteses, o sábado é diferente. E só ele, porque no domingo é necessário se conter, renovar a mente, e, só assim, continuar com a triste rotina. Sorte daqueles que têm um dia diferente, onde em todos os momentos há uma aventura nova, um sorriso novo, uma piada nova. Os que inovaram seus pensamentos, trabalharam novas ideologias, conheceram novos amigos, mudaram de vida. Esses sim, sabem absorver o que a vida tem de melhor. Não vivem no passado, pelo contrário, dão valor a ele olhando para o futuro. Veem as fotos e dizem: como eu era diferente; não fisiologicamente falando, mas psicologicamente e, quem sabe, espiritualmente. Relembram o passado como fonte de inspiração para o presente e assim dão mais valor aos amigos que um dia marcaram suas vidas. Aprendem que um sorriso vale mais, porque você não tem a certeza de que ele estará lá na próxima vez. E observam que as conversas não têm mais timidez, tudo é dito, mesmo que os assuntos não sejam mais o que antigamente costumavam ser. E descobrem que a inocência nem sempre acompanha os pensamentos. Que uma feição pode ser ilusória e passar uma expressividade que não está de acordo com a pura verdade sobre alguém.
Eles veem que a mudança carrega fardos. Alguns bons, outros ruins. Mas, em tudo, reconhecem que a vida é bem melhor quando as mudanças acontecem. E, mesmo após vários anos, podem olhar para uma pessoa e dizer: ela mudou. Nem pra melhor, nem pra pior. Apenas mudou.
Eles veem que a mudança carrega fardos. Alguns bons, outros ruins. Mas, em tudo, reconhecem que a vida é bem melhor quando as mudanças acontecem. E, mesmo após vários anos, podem olhar para uma pessoa e dizer: ela mudou. Nem pra melhor, nem pra pior. Apenas mudou.
domingo, 12 de julho de 2009
A você. Que me apresentou a mais uma de Vinicius.
Abusei da regra três?
Ou a regra três abusou de mim?
Só sei que, num piscar de olhos,
Entrei no temido lugar, onde o menos vale mais.
Ou o mais vale menos.
O que importa? Agora, tudo vale igual.
Bem que ele disse: o perdão também cansa de perdoar.
Pelo visto, vou curtir o deserto. Apenas só ou sozinho.
Num escuro perturbante.
Mas com a brecha de luz daquela lâmpada que insiste em brilhar.
E mesmo que com tão pouco você já foi,
Acredito que com o muito você ficou.
Porque os momentos felizes deixaram raízes no penar.
E se um dia a tristeza quiser entrar,
Lá estarei eu, lembrando do melhor sorriso.
E quem sabe, poderei até chorar.
Ou a regra três abusou de mim?
Só sei que, num piscar de olhos,
Entrei no temido lugar, onde o menos vale mais.
Ou o mais vale menos.
O que importa? Agora, tudo vale igual.
Bem que ele disse: o perdão também cansa de perdoar.
Pelo visto, vou curtir o deserto. Apenas só ou sozinho.
Num escuro perturbante.
Mas com a brecha de luz daquela lâmpada que insiste em brilhar.
E mesmo que com tão pouco você já foi,
Acredito que com o muito você ficou.
Porque os momentos felizes deixaram raízes no penar.
E se um dia a tristeza quiser entrar,
Lá estarei eu, lembrando do melhor sorriso.
E quem sabe, poderei até chorar.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Só pra postar.
Atormentado com a imagem tão peculiar, ele se perdia no seu próprio intelecto, entre um certo subconsciente, que predominava na situação, e o consciente, declaradamente intrometido. Não aguentava mais olhá-la, não por ter traços precisos e equilibrados, desenhados com total perfeição, nem por apresentar cores que se encaixavam magicamente, como se ensaiassem seus passos desde crianças, mas por algo misteriosamente incógnito; que nem mesmo ele ousara saber.
Petrificado numa posição inadequada, que denunciava sua angústia pela tal imagem, o homem pensava baixo, analisando o suposto autor daquela obra-de-arte.
- Será que é de Vermeer? Reforço nos detalhes, símbolos naturais. Mas...
Algo estava errado. O quadro tinha uma característica própria, tão gritante quanto a incapacidade de conseguir encontrá-la. Mas sabia-se que ela estava lá. A dúvida do devido autor reinava sobre sua mente, até que uma bela moça, com um vestido longo, de corte especial que mostrava suas lindas pernas, tão hidratadas quanto o seu rosto, que, além de ser belo, passava uma delicadeza divina, olha para a imagem e instantaneamente diz:
- Lindo. Só poderia ser Chen Bo.
Nesse exato e único momento, só veio uma palavra na boca do homem: humilhação. Ainda bem que ele estava no processo de “pensar baixo”, não chamando a atenção da linda e charmosa mulher. Logo, ele percebeu algo até então inédito, que o incomodou por completo; realmente não entendia nada de arte, principalmente de pintura. Após o impacto da tal descoberta, ele começou a olhar para a imagem de outra forma, perdeu seu posto de soberania, quebrando com toda a angústia, e desceu para algo mais desfrutador, onde ele apreciava com total prazer a tal imagem, sem questioná-la, apenas olhava e olhava, sem nenhuma intenção a mais.
E de alguém que não conseguia ver a beleza exemplar da imagem, porque achava estar num posto superior e impróprio para ser encantado pela mesma, ele descobriu que é mais satisfatório ser humilde e conseguir apreciar o que há de melhor.
Petrificado numa posição inadequada, que denunciava sua angústia pela tal imagem, o homem pensava baixo, analisando o suposto autor daquela obra-de-arte.
- Será que é de Vermeer? Reforço nos detalhes, símbolos naturais. Mas...
Algo estava errado. O quadro tinha uma característica própria, tão gritante quanto a incapacidade de conseguir encontrá-la. Mas sabia-se que ela estava lá. A dúvida do devido autor reinava sobre sua mente, até que uma bela moça, com um vestido longo, de corte especial que mostrava suas lindas pernas, tão hidratadas quanto o seu rosto, que, além de ser belo, passava uma delicadeza divina, olha para a imagem e instantaneamente diz:
- Lindo. Só poderia ser Chen Bo.
Nesse exato e único momento, só veio uma palavra na boca do homem: humilhação. Ainda bem que ele estava no processo de “pensar baixo”, não chamando a atenção da linda e charmosa mulher. Logo, ele percebeu algo até então inédito, que o incomodou por completo; realmente não entendia nada de arte, principalmente de pintura. Após o impacto da tal descoberta, ele começou a olhar para a imagem de outra forma, perdeu seu posto de soberania, quebrando com toda a angústia, e desceu para algo mais desfrutador, onde ele apreciava com total prazer a tal imagem, sem questioná-la, apenas olhava e olhava, sem nenhuma intenção a mais.
E de alguém que não conseguia ver a beleza exemplar da imagem, porque achava estar num posto superior e impróprio para ser encantado pela mesma, ele descobriu que é mais satisfatório ser humilde e conseguir apreciar o que há de melhor.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Futuro promissor
02. Menina de seis anos de idade é violentada pelo próprio pai. Ele diz que fez o ato porque não recebia “carinhos” suficientes da mulher, que colocava gaia nele com o seu melhor amigo. É bronca.
04. Deputado é preso após ter roubado 6 milhões de reais que deveriam ser destinados para a construção de uma rodovia. Ele afirma que o dinheiro estava sendo guardado para devidas precauções futuras.
06. O ator Luís Verdana acaba de se separar da sua mulher. O casamento durou apenas 4 meses. Olha olha. E outra, ator da globo é pego usando cocaína em festa. Atriz aparece na internet fazendo relações sexuais com três homens.
07. Pu%# que Pa$#u. Tá Fo!@ o programa hoje. Cara@#$!. Pois é assim mesmo, aqui é na base da porrada, porr@. E se não gostou, vá tom$@ no c#. Seu merdinha burguês.
09. Enchente desabriga 100 mil pessoas no Norte e Nordeste do Brasil. Estado declara emergência. O dinheiro que deveria ajudar essas famílias sumiu, o governo diz não saber o porquê do fato, mas diz que vai pesquisar.
11. Vemos aq... o que aconte... qua... tira... o lugar. Sempre é vis... poi... o úni... momen... deve ter na educação... Senhor Moisé..... explica que o núme.... deve est..... compli... aqui.
13. Estamos em mais uma final do BBB. Ligue agora e tire alguém da casa. Pegue o seu telefone da Tim, aquele Nokia lindo, use uma camisa de C&A, coloque um Super Bond no seu boneco da Estrela preferido e ligue. Ou mande uma mensagem e concorra a um Pálio Fire 1.8 com um som da Sony.
É comprovado que uma criança passa no mínimo 4 horas diárias na frente de uma TV. Futuro promissor o Brasil terá pela frente, não acha?
04. Deputado é preso após ter roubado 6 milhões de reais que deveriam ser destinados para a construção de uma rodovia. Ele afirma que o dinheiro estava sendo guardado para devidas precauções futuras.
06. O ator Luís Verdana acaba de se separar da sua mulher. O casamento durou apenas 4 meses. Olha olha. E outra, ator da globo é pego usando cocaína em festa. Atriz aparece na internet fazendo relações sexuais com três homens.
07. Pu%# que Pa$#u. Tá Fo!@ o programa hoje. Cara@#$!. Pois é assim mesmo, aqui é na base da porrada, porr@. E se não gostou, vá tom$@ no c#. Seu merdinha burguês.
09. Enchente desabriga 100 mil pessoas no Norte e Nordeste do Brasil. Estado declara emergência. O dinheiro que deveria ajudar essas famílias sumiu, o governo diz não saber o porquê do fato, mas diz que vai pesquisar.
11. Vemos aq... o que aconte... qua... tira... o lugar. Sempre é vis... poi... o úni... momen... deve ter na educação... Senhor Moisé..... explica que o núme.... deve est..... compli... aqui.
13. Estamos em mais uma final do BBB. Ligue agora e tire alguém da casa. Pegue o seu telefone da Tim, aquele Nokia lindo, use uma camisa de C&A, coloque um Super Bond no seu boneco da Estrela preferido e ligue. Ou mande uma mensagem e concorra a um Pálio Fire 1.8 com um som da Sony.
É comprovado que uma criança passa no mínimo 4 horas diárias na frente de uma TV. Futuro promissor o Brasil terá pela frente, não acha?
quarta-feira, 22 de abril de 2009
P/B.
A tinta preta entrou em ação. De fininho, ganhou seu espaço, um por um. O amarelo, o azul e o verde nem desconfiaram da infiltração do preto. O vermelho até que desconfiou, mas foi imprudente ao tentar alertar as outras cores.
Aos poucos o colorido ia sumindo, dando espaço ao preto. Não se via mais o amarelo, tão belo e comovente, presente num dos momentos mais perfeitos: o pôr-do-sol; ou no cabelo louro daquela mulher que chama atenção com os saltos altos, as roupas de moda e o estilo simpático de ser. O azul do mar, que preenchia quase toda a imagem com sua exuberância, foi-se; assim como as calças jeans que cobriam os corpos daquele casal, sentado na beira da praia, curtindo o momento. O verde das paisagens, da natureza, dos coqueirais, do contato direto com o mundo, desapareceu. O vermelho foi o que mais resistiu, não por ter suspeitado do preto, mas por representar o que há de mais importante: o amor; visto no pôr-do-sol, na mulher loura e no belo casal que olhava o mar.
Tudo ficou preto. Até que surgiu o branco, que, ao se juntar com o preto, deu vida ao cinza. No começo, tudo ficou sem nexo, sem efeito, sem emoção; mas depois, quando o cinza deu contraste à imagem, quando o branco limitou os espaços e quando o preto deixou de ser egoísta, a imagem tornou-se algo mais chocante, divino e emotivo; direcionando-se a um patamar superior. O pôr-do-sol ficou mais perfeito do que nunca; a loura, que deixou de ser loura, chamou ainda mais atenção; o mar tornou-se mais amplo e espaçoso, atribuindo mais vida a tal imagem; a natureza gritou, afirmando estar lá, persistindo em comparecer, mesmo quando a maltratamos. E o amor ficou ainda mais apaixonante e sentimental, contrariando todas as dúvidas outrora vividas.
Tudo era preto e branco, mas tudo parecia estar mais colorido do que nunca. Não pelas cores em si, mas pela emoção que a imagem passava. Antes, o colorido estava parado, acomodado em fazer apenas sua parte; estava sem vida, sem graça. Agora, mesmo ausente, ele gritava e pulava. Era como se ele vibrasse a beleza da nova imagem, que deixara de ser colorida, para torna-se preta e branca.
E viu que certas vezes é preciso perder as cores, dar-se por algo mais humilde, porém mais cativante. Perdeu-se as cores chamativas, fortes, quentes; mas se ganhou emoção, sentimento, vida. Pois o foco deixou de ser o colorido e passou a ser o detalhe, que, se você reparar, é o grande responsável pela perfeição da imagem.
Aos poucos o colorido ia sumindo, dando espaço ao preto. Não se via mais o amarelo, tão belo e comovente, presente num dos momentos mais perfeitos: o pôr-do-sol; ou no cabelo louro daquela mulher que chama atenção com os saltos altos, as roupas de moda e o estilo simpático de ser. O azul do mar, que preenchia quase toda a imagem com sua exuberância, foi-se; assim como as calças jeans que cobriam os corpos daquele casal, sentado na beira da praia, curtindo o momento. O verde das paisagens, da natureza, dos coqueirais, do contato direto com o mundo, desapareceu. O vermelho foi o que mais resistiu, não por ter suspeitado do preto, mas por representar o que há de mais importante: o amor; visto no pôr-do-sol, na mulher loura e no belo casal que olhava o mar.
Tudo ficou preto. Até que surgiu o branco, que, ao se juntar com o preto, deu vida ao cinza. No começo, tudo ficou sem nexo, sem efeito, sem emoção; mas depois, quando o cinza deu contraste à imagem, quando o branco limitou os espaços e quando o preto deixou de ser egoísta, a imagem tornou-se algo mais chocante, divino e emotivo; direcionando-se a um patamar superior. O pôr-do-sol ficou mais perfeito do que nunca; a loura, que deixou de ser loura, chamou ainda mais atenção; o mar tornou-se mais amplo e espaçoso, atribuindo mais vida a tal imagem; a natureza gritou, afirmando estar lá, persistindo em comparecer, mesmo quando a maltratamos. E o amor ficou ainda mais apaixonante e sentimental, contrariando todas as dúvidas outrora vividas.
Tudo era preto e branco, mas tudo parecia estar mais colorido do que nunca. Não pelas cores em si, mas pela emoção que a imagem passava. Antes, o colorido estava parado, acomodado em fazer apenas sua parte; estava sem vida, sem graça. Agora, mesmo ausente, ele gritava e pulava. Era como se ele vibrasse a beleza da nova imagem, que deixara de ser colorida, para torna-se preta e branca.
E viu que certas vezes é preciso perder as cores, dar-se por algo mais humilde, porém mais cativante. Perdeu-se as cores chamativas, fortes, quentes; mas se ganhou emoção, sentimento, vida. Pois o foco deixou de ser o colorido e passou a ser o detalhe, que, se você reparar, é o grande responsável pela perfeição da imagem.
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